Comportamento

População negra sofre em meio a pandemia

População negra tem se tornado a mais vulnerável, sem acesso à saúde e aos cuidados necessários

Essa pandemia tem sido criticada sob diversos aspectos no mundo inteiro. Economia e saúde, principalmente, são as áreas mais afetadas. Mas, um dos fatores críticos é a fatalidade dos casos de pessoas negras pela Covid-19. Tudo pela falta de acesso à saúde por grande maioria parte dessa população. Um povo que já vem sofrendo há séculos e ainda sofre por descaso, falta de respeito, inconformismo, preconceito, racismo, tudo o que for de ruim. Por isso, cada conquista é extraordinária, uma reparação histórica. Apesar de ouvirmos comentários de que não existe preconceito, que hoje em dia ele não existe, só de visualizar a situação desse povo em meio a pandemia, percebe-se que as pessoas preferem manter os olhos fechados.

A cada dia, ao acordarem, saírem de suas casas, pegarem um ônibus, correr riscos, ir para o trabalho e, nesse meio tempo, escutarem falas racistas, percebemos que esta é uma realidade vivida por essas pessoas. Agora os esforços deles são voltados para uma luta contra um inimigo invisível, expondo-os a encarar a morte. O jornal Nexo apresentou muitas coisas importantes referentes a essa reflexão. Em pesquisa o jornal Nexo aponta números de óbitos de pessoas negras em abril por causa da pandemia pelo novo coronavírus. “Em duas semanas, a quantidade de pessoas negras que morrem por covid-19 no Brasil quintuplicou. De 11 a 26 de abril, mortes de pacientes negros confirmadas pelo governo federal foram de pouco mais de 180 para mais de 930″.

E ainda fazem outros comparativos com relação a pesquisas feitas pelos Estados Unidos e Inglaterra da população negra de seus países. “Nos Estados Unidos, embora sejam 13,4% da população, os negros correspondem a 60% das mortes ocorridas. Na Inglaterra, outro estudo demonstra que a probabilidade de um negro morrer é quatro vezes maior do que de um branco”.

As mulheres negras já sofrem em meio a sociedade, com o começo da pandemia, esse fato só aumentou.

As mulheres negras já sofrem em meio a sociedade e com a pandemia esse fato só aumentou

É preciso acabar com essa situação, a população precisa se conscientizar de que as pessoas pretas não são sujas por causa de sua cor, não tem que haver diferenciações, a capacidade não pode ser medida através da cor, todos temos o sangue vermelho, todos nascemos e morremos da mesma forma. Com essa pandemia, aqui no Brasil, pretos e pardos representam 1 em cada 3 mortos por Covid-19 (32,8%), segundo o G1 Bem Estar. Isso se dá pela falta de acesso à saúde, além das desigualdades sociais, econômicas e por apresentarem doenças associadas.

Desses números tira-se a conclusão de que esse povo concentra grande quantidade das mazelas, mal tendo bica em casa (um projeto de chuveiro, um cano na parede) para lavar as mãos, fazer a higienização dos alimentos que conseguem comprar ou a limpeza de suas casas. Ter que ir para a casa da família branca, bem de vida, com todo o suporte para os devidos cuidados, pegando em qualquer parte do ônibus por estar cheio e não cair nas pessoas ou no chão, correndo o risco de se contaminar.

Tudo pela falta de um olhar solidário para o fato de que aquele preto é como eles, reconhecendo que eles também precisam ficar em casa. Por mais que não consigam fazer o isolamento, pelo fato de muitas vezes viverem em um imóvel pequeno, ao menos não estariam expostos nas ruas. Reconhecendo também que precisam de um suporte financeiro para se manterem bem com a alimentação, o que não vem acontecendo.

O Brasil e Estados Unidos da América são os dois países com uma grande população negra fora da África. E lá nos Estados Unidos essas pessoas têm sofrido bastante também por causa do coronavírus. Segundo o site de notícias r7. com, em Chicago, cidade mais populosa de Illinois, onde o ex- presidente americano Barack Obama vive e fez carreira política e acadêmica, os negros compõem 30% da população, mas representavam 68% dos 118 mortos e 52% dos cerca de cinco mil casos confirmados no município até quarta- feira (07/04). Sinal do sofrimento desse grupo de pessoas pelo mundo e nos EUA onde o racismo é também bem forte.

Fora da África, o Brasil e Estados Unidos são os dois países com mais negros

O empoderamento negro é essencial, sobretudo nos dias de hoje para todo o mundo visualizar que são pessoas que também merecem respeito e um espaço na sociedade, que são todos iguais, que tem as mesmas capacidades, que merecem um acesso à saúde, uma vida digna como qualquer um. %

 

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