Economia

Após estabilidade, mercado imobiliário deve crescer no 2º trimestre

Otimistas, representantes do setor estimam forte retomada no 2º semestre do ano. Apesar da pandemia, as vendas caíram apenas 2,2% no 1º semestre, em relação ao mesmo período de 2019.

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Apesar da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, o mercado imobiliário brasileiro, sobretudo o do Distrito Federal (DF), já apresenta sinais de retomada econômica. Aliás, o setor foi um dos menos prejudicados com a chegada do vírus no país. Dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) no final de agosto mostram que as vendas de imóveis caíram apenas 2,2% no primeiro semestre de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado. O número representa uma estabilidade total para a CBIC, que está otimista em relação ao próximo semestre.

Em videoconferência da CBIC, o presidente da instituição José Carlos Martins avaliou que um dos principais fatores para a estabilidade do setor foram os juros mais baixos. Martins também destacou a importância maior que foi atribuída a unidades residenciais devido ao tempo que as pessoas ficaram isoladas em casa para controlar a propagação do coronavírus.

“As pessoas ficaram em casa e perceberam a importância que é o seu lar, a sua casa, a reforma, a localização, o tamanho, assim como vários parâmetros que impactam na vida de uma família ou de uma pessoa. Então, as pessoas resolveram investir”, explicou o presidente da CBIC.

A empresária Ana Cláudia Campos, moradora da Asa Norte, em Brasília (DF), aproveitou o momento e comprou um novo imóvel na capital em julho. Ela começou a procurar por uma unidade quando viu que as aplicações financeiras não estavam rendendo como antes, e por isso, pretende investir no imóvel para alugar e gerar mais renda. “Vou deixar valorizando, e ao mesmo tempo vou usar para fins de trabalho”, explica Ana. “A compra foi um ótimo investimento, pois comprei no momento em que o proprietário me vendeu pensando que o mercado estava parado”, acrescenta.

A empresária ainda relata que, enquanto procurava por um imóvel, percebeu muitas variações na quantidade e nos preços das unidades. “Acho que o momento de crise que vivemos tem a ver com o ritmo frenético na compra e venda de imóveis”, diz. Ela recomenda, para quem estiver procurando imóveis, que não pense duas vezes antes de comprar caso encontre uma boa oferta. “O mercado está aquecido, e corre-se o risco de perder o bem desejado”, afirma.

Menos lançamentos

Em contrapartida, o número de unidades lançadas no primeiro semestre deste ano foi 43,9% menor do que no mesmo período de 2019. Para o presidente da CBIC, essa queda ocorreu por causa do receio que empresários sentiram em lançar novos empreendimentos durante a pandemia.

“Eles (empresários) sabiam como o mercado ia se comportar. Mas a nossa sondagem demonstra que 70% dos empresários pretendem lançar o mesmo volume que estava previsto no começo do ano. Vamos ter obviamente, no próximo semestre, um boom de lançamentos. É o que esperamos”, afirma Martins.

Distrito Federal

O mercado imobiliário do DF acompanhou a retomada, e em junho, registrou a venda de 337 novos imóveis, o melhor resultado para o mês em seis anos. De acordo com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), o Índice de Velocidade de Vendas (IVV) alcançou 11,1% no mês e foi considerado o melhor do ano.

Comparada com maio, por exemplo, a velocidade de vendas aumentou 22,1% em junho, e a oferta de novas unidades cresceu 25,4%. Já a venda de imóveis foi 53,2% superior. No mês de maio, foram comercializadas 220 unidades. Já em março e abril, logo após o primeiro caso de coronavírus no Brasil, foram registradas, respectivamente, 188 e 139 vendas no DF.

Gráfico mostra a progressão de vendas de imóveis no DF em 2020, até junho. FONTE: ADEMI-DF

Gráfico mostra a progressão de vendas de imóveis no DF em 2020, até junho. FONTE: Ademi-DF

Gráfico mostra a progressão de imóveis lançados no DF em 2020, até junho. FONTE: ADEMI-DF

Gráfico mostra a progressão de imóveis lançados no DF em 2020, até junho. FONTE: Ademi-DF

 

O presidente da Ademi-DF, Eduardo Aroeira, justifica os resultados positivos de junho como consequência da queda da taxa básica de juros, a Selic –atualmente em 2% ao ano. Ele explica: “As taxas de financiamento imobiliário estão em níveis históricos por causa da queda da Selic. A taxa de financiamento em janeiro de 2019 se encontrava na maioria dos bancos entre 11% e 12%. E hoje, aqui no DF, existem taxas de 6,5%, quase a metade. Na prática, significa que o cliente paga menos juros e que a prestação dele fica menor, então mais clientes têm a possibilidade de adquirir imóveis”.

Assim como José Carlos Martins, presidente da CBIC, Aroeira também acredita que o isolamento social como forma de conter a propagação do coronavírus também impulsionou a venda de imóveis no DF. “A pandemia fez com que as pessoas ficassem bastante em casa, e com isso, na nossa avaliação, elas perceberam o quanto um apartamento de qualidade ou uma casa de qualidade é importante para a qualidade de vida. Temos percebido um aumento de procura por imóveis de cobertura e com varandas, por exemplo”, explica o especialista.

Eduardo Aroeira, presidente da ADEMI-DF. FOTO: ADEMI-DF

Eduardo Aroeira, presidente da Ademi-DF. FOTO: Ademi-DF

De acordo com a Ademi-DF, existem 3.039 imóveis residenciais estocados na capital, o que seria suficiente para atender a demanda pelos próximos nove meses.

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