Educação

Falta de aparelhos eletrônicos e acesso à internet prejudicam o ensino da rede pública

Com quase cinco milhões de crianças e adolescentes sem acesso à internet e aparelhos eletrônicos suficientes, pandemia evidencia dificuldades de estudantes de escolas públicas.

O isolamento forçado pela pandemia da Covid-19 mantém em casa milhões de brasileiros, principalmente, crianças e adolescentes, que tiveram as aulas presenciais suspensas por determinação do governo. Neste contexto, a internet é o principal meio de acesso de estudantes à sala de aula, principalmente através de aplicativos e plataformas online. No entanto, as atividades escancaram a enorme desigualdade de acesso à internet no Brasil, o que impacta no aprendizado dos alunos.

Dados da pesquisa TIC Kids Online 2019, divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef, revelam que quase cinco milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos, não têm acesso à internet em casa. Eles correspondem a 17% de todos os brasileiros nessa faixa etária. A pesquisa também revelou que 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não têm computador ou tablet em casa. Veja a pesquisa completa clicando aqui.

Essas desigualdades são evidenciadas no Centro de Ensino Infantil 01, do Paranoá, no Distrito Federal, que atende estudantes do ensino infantil, onde 90% alunos fazemos atividades através do WhatsApp. Dos 600 alunos atendidos pela unidade de ensino, 500 usam o aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz como principal meio de ensino. Outros 354 usam a plataforma online da instituição e 200 alunos utilizam materiais impressos. “Durante este isolamento, temos que levar em conta que a maioria dos alunos não tem acesso à internet ou usam apenas o celular dos pais. Entender o conteúdo de uma tela pequena de aparelho celular é extremamente complicado. Sem falar nas dificuldades que os pais têm em acessar a plataforma da rede pública de ensino”, esclarece a diretora Raquel Mendes.

Uma das formas de manter os alunos acessando o conteúdo das aulas é através de apostilas e atividades que são impressas pela escola. “Quinzenalmente disponibilizamos apostilas para os alunos. Os pais ou responsáveis das crianças fazem a retirada do material diretamente na nossa secretaria. O problema é que esta retirada não é frequente. As famílias veem quando ou como podem”, complementa Raquel Mendes.

Karen Lopes é umas das mães que sente os danos causados pela pandemia. “Sinto que meu filho está sendo prejudicado. O principal meio de acesso às aulas é através do meu celular e sem Wi-Fi. É muito difícil acompanhar os vídeos pelo celular para realizar as atividades do meu filho, pois o sinal da internet é limitado. Além disso, a concentração dele através de aula online é difícil. A falta de foco é grande e isso prejudica a aprendizagem”, afirma a mãe de José Henrique, de sete anos. A mãe ainda ressalta que é difícil pegar os materiais impressos com frequência na escola, já que por conta da pandemia ela precisa fazer trabalhos autônomos para complementar a renda.

Escola cria campanha para adquirir equipamentos para estudantes.

Escola cria campanha para adquirir equipamentos para estudantes

Solidariedade

Uma das formas que a escola e os pais encontraram para diminuir os danos causados pela educação à distância foi organizar grupos de conversas para debater o conteúdo e tirar dúvidas. Além disso, os alunos que não têm internet em casa se deslocam até a casa do colega que tenha acesso ao wi-fi e compartilham a rede. “Com esses meios tentamos diminuir ao máximo os danos causados pela pandemia. Entendemos a necessidade de encontrar uma maneira viável de garantir que as crianças tenham acesso ao ensino para que a aprendizagem não seja impactada. Em muitas ocasiões, os professores ficam disponíveis para os pais e alunos até tarde da noite. Tudo isso para minimizar os obstáculos que esses estudantes enfrentam. Como falta de internet e de local apropriado para estudar”, destaca a diretora do centro de ensino.

Os professores são orientados a estarem presentes virtualmente nas plataformas durante o horário de funcionamento escolar, ou seja, das 7h15 até às 17h. Alguns professores estão sendo mais flexíveis ao atendimento das famílias, visto que os pais trabalham e nem sempre estão com as crianças no horário das aulas. Erimar Santos, que leciona no Centro de Ensino há mais de seis anos, acrescenta que “a educação pode mudar vidas. Me formei para mudá-las e entendo que dificuldades são desafios e vamos vencer juntamente com as crianças, então, se for necessário atender os pais dos meus alunos até mais tarde, eu atenderei. A nossa escola deu início as campanhas de arrecadação de aparelhos eletrônicos para distribuir entre os alunos. A divulgação, por enquanto, está sendo feita através das redes sociais, quem puder ajudar será muito bem-vindo”, afirma.

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