Saúde

Automedicação preocupa especialistas em saúde

Aumento de até 200% na venda de medicamentos, como a vitamina C, gera alertas para os perigos da automedicação

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A venda de medicamentos durante o período de quarentena teve grande alta e a automedicação preocupa especialistas de saúde em todo o Brasil. De acordo com uma pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Farmácia, apenas no Distrito Federal houve um aumento de mais de 200% na comercialização da vitamina C (ácido ascórbico), 96,74% nas vendas de paracetamol e 102% nas vendas da dipirona. Acesse os dados das vendas por estado pelo linkhttps://www.cff.org.br/userfiles/file/dados_medicamentos.pdf

Segundo a coordenadora do curso de farmácia do IESB, professora doutora Carla Terci, “no Brasil, temos uma cultura da automedicação, que é o ato de você comprar e ingerir medicamentos sem a orientação de um profissional competente: médico, odontólogo ou farmacêutico”. Terci alerta ainda que “consumir vitaminas em excesso por exemplo, pode causar, hipervitaminose e sobrecarregar órgãos como fígado e rins, sem necessidade”.

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) constatou por meio de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha que a automedicação é um hábito de 77% dos brasileiros que fizeram uso de medicamentos em 2019. Quase metade (47%) se automedica ao menos uma vez por mês, e um quarto (25%) usa medicamentos sem orientação médica todo dia ou pelo menos uma vez por semana.

A automedicação é um hábito perigoso, pode trazer consequências graves, gerar efeitos indesejados e até causar inúmeros danos à saúde. Carla Terci afirma ainda que “medicamentos como analgésicos e anti-inflamatórios, se tomados sem a devida orientação, além de não produzirem o efeito esperado podem causar danos à saúde como reações alérgicas, dependência e até óbito”.

Tânia Nardolilo, de 59 anos, toma medicamentos sem receita médica diariamente. “Sempre que sinto uma queimação no estômago tomo omeprazol, se alguma dor me incomoda a dipirona ajuda e caso o sono não venha logo, tenho outro remedinho que ajuda a dormir”, relata Tânia.

Tânia Nardolilo, de 59 anos, utiliza remédios diariamente sem prescrição médica.

Tânia Nardolilo, de 59 anos, utiliza medicamentos diariamente sem prescrição médica

Existem diversos motivos para que uma pessoa tome a decisão de se automedicar, porém grande parte das pessoas que fazem uso de medicamentos sem a orientação médica acabam seguindo a sugestão de um conhecido próximo como um parente, vizinho ou até mesmo de falsos especialistas que estão espalhados em toda a internet e redes sociais.

O psicanalista Marcel Vella Nunes alerta que “o uso de medicamento sem a supervisão de um especialista pode piorar doenças preexistentes, não surtir efeito algum, disfarçar outros sintomas, causar danos sérios ao organismo ou até fazer com que seja mais difícil diagnosticar outras enfermidades”, afirma o médico.

Nem todo remédio é um medicamento

Os medicamentos são recursos utilizados para curar ou aliviar dores, desconfortos e doenças. São fórmulas elaboradas em farmácias, hospitais ou empresas farmacêuticas e devem atender às especificações técnicas e legais da legislação brasileira de vigilância sanitária. Já a palavra remédio, em seu termo mais amplo, inclui conceitos além dos medicamentos, sobre cuidados e recursos terapêuticos. São exemplos de remédio: massagem, repouso, psicoterapia, acupuntura, reiki entre outros cuidados com a saúde do corpo e da mente.

Como uma opção para diminuir o uso excessivo de medicamentos, algumas pessoas estão encontrando nas terapias integrativas, que eram chamadas de terapias alternativas, a solução de seus problemas com o corpo e a mente. Segundo a terapeuta Andrea Fiuza, “todo o desconforto sentido pelas pessoas, em qualquer nível emocional, psicológico e físico pode ser tratado com as terapias integrativas”.

Atualmente, as pessoas que necessitam realizar tratamentos com terapias integrativas pelo SUS podem optar entre 29 procedimentos oferecidos gratuitamente, são eles: acupuntura, homeopatia, fitoterapia, antroposofia, termalismo, arte terapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa, yoga, apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais.

Mais informações sobre terapias integrativas podem ser encontradas no site:https://www.saude.gov.br/images/pdf/2018/marco/12/Praticas-Integrativas.pdf.

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