Comportamento

Como os servidores públicos estão se adaptando ao trabalho remoto

Prática comum em diversas empresas privadas, o teletrabalho também vem se mostrando uma boa opção para o funcionalismo público.

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Em busca de alternativas para controlar a pandemia do novo coronavírus o setor público federal teve que adotar às pressas o modelo de trabalho remoto. Dessa maneira, foi possível dar continuidade em suas atividades diminuindo, assim, os riscos de contágio. Passados quase seis meses desde o decreto oficial da quarentena, cerca de 63.390 servidores ainda continuam em regime de teletrabalho em todo país.

O teletrabalho não é uma experiência nova no Brasil. Algumas empresas já adotavam esse formato de trabalho como é caso da Accenture, uma multinacional de consultoria e tecnologia, na qual a publicitária, Renata Oliveira trabalha. De acordo com Renata o home office sempre foi cultura dentro da empresa e ao longo dos anos foi apenas se ampliando.

“Hoje nós adotamos um esquema de trabalho em que vamos dois dias à empresa e ficamos três dias em home office, o que facilita muito a nossa rotina e produtividade. No começo da pandemia não tivemos dificuldades no processo de adaptação, já que a maioria dos procedimentos de trabalho é realizada através das plataformas online. ”

Ela complementa explicando como está sendo a atuação da empresa no suporte aos funcionários. “Devido à pandemia a Accenture criou uma política oficial de teletrabalho, na qual vão reembolsar as despesas com internet, luz, fornecer uma cadeira ergonômica, além de aparelhos eletrônicos para quem não possui. ”

A Accenture atua em mais de 120 países e conta atualmente com cerca de 509.000 funcionários no mundo. No Brasil o número de profissionais que trabalham para a empresa chega à 15.000.

Serviço público

No que se refere aos servidores, a profissional de administração do Corsap (Consórcio Público de Manejo dos Resíduos Sólidos e das Águas Pluviais da Região Integrada do Distrito Federal e Goiás) Yngrid Gebrin acredita que o trabalho remoto vem se mostrando uma proposta positiva a longo prazo para o setor público.

“Com base nos resultados do teletrabalho atualmente, é possível que seja, sim, uma estrutura de trabalho viável. Existem pesquisas que mostram que a produtividade de grande parte dos servidores melhorou com o trabalho remoto. Se pensarmos em reeducação de custos e qualidade de vida, será uma ótima ideia. ”

Ainda assim ela pontua que existem alguns problemas nesse formato. “As maiores dificuldades, talvez, sejam a saúde física e mental desses servidores, pois a interação é muito importante para manter o nosso corpo e mente em dia. Sem contar que, talvez fique mais difícil a fiscalização do trabalho remoto. No setor público uma reforma das condutas deveria ser feita para esse enquadramento. ”

De acordo com a servidora pública da Enap (Escola Nacional de Administração Pública) Sandra Elise Sipp, o trabalho remoto proporcionou uma melhora em sua qualidade de vida. Ela relata que tem tido mais tempo para organização do serviço e pausas, melhor alimentação e mais tranquilidade por não precisar se deslocar e enfrentar o trânsito. Além da diminuição de seus gastos.

Sandra enxerga o formato de home office um modelo para ser adotado em um futuro próximo e que a pandemia da Covid-19 acelerou esse processo. Ela ainda afirma que se puder escolher, elegeria o trabalho remoto como modelo de atuação em seu trabalho daqui para frente.

“Se eu tiver a chance de optar, escolherei o trabalho remoto, sem dúvida. Tenho o suporte da empresa, que cedeu computadores, e da área de TI, que está sempre a postos para resolver problemas que tenhamos com a tecnologia. Entretanto, os custos de internet e de telefonia celular (muito usada no trabalho remoto) são bancados por mim. Esses aspectos precisam ser negociados, pois recursos e ferramentas de trabalho são de responsabilidade da empresa. ”

Segundo o Ministério da Economia aproximadamente 691,9 milhões foram economizados em despesas administrativas com os servidores em regime de teletrabalho. Gastos com energia elétrica, água, passagens, cópias e reprodução de documentos foram os principais itens analisados no levantamento feito pelo Ministério.

Para o professor dos cursos de Gestão de Recursos Humanos, Gestão Pública e Ciências Contábeis do Iesb, Erlano Marques, Ribeiro existem algumas complicações que dificultam o reembolso do governo para os servidores em home office.

“A legislação, em algum momento, deveria ser ajustada para esse tipo de trabalho; não há muita regulamentação hoje no tocante a esse aspecto. O Governo tem condições de suprir os seus colaboradores com alguns gastos, o problema está em como fazê-lo. É preciso pensar com bastante cautela, para evitar não só os excessos como também a falta de transparência. ”

Como o home office está modificando a configuração de trabalho do serviço público

Home office está modificando a configuração de trabalho do serviço público | Flickr

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