Educação

O hip hop como instrumento de educação

O Projeto Rapensando nas Escolas acredita na arte como aliada na educação de jovens da rede pública

Através da cultura hip hop o Rapensando nas Escolas promove debates e rodas de conversas nas escolas públicas de Brasília. Foi durante uma conversa informal entre integrantes da cena local, Kl Jay, DJ e integrante do grupo de rap Racionais MC’s, Sidnei Salgado e o então diretor escolar Marcos Antônio, atual Coordenador Regional de Ensino da Ceilândia, que o Rapensando surgiu.

Ao longo dos seus dez anos de existência, o projeto visitou aproximadamente cem escolas e alcançou mais de 30 mil alunos da rede pública do Distrito Federal. Guará, Ceilândia, Planaltina, Plano Piloto são alguns dos locais por onde o hip hop e seus quatro elementos, DJ, grafite, MC e o breaking, passaram como aliados na arte da educação.

“O hip hop sempre foi visto com preconceito e marginalizado pela sociedade. A ideia do projeto foi mostrar a essa mesma sociedade que o hip hop não é um movimento delinquente, muito pelo contrário, ele é responsável por transformar a vida de todos aqueles que o conhecem. É um movimento que mostra as lutas, vitórias e dá voz às pessoas que vivem na periferia. Por transformar a vida daqueles que o integram, os idealizadores procuraram apresentar no ambiente escolar a conscientização e luta que o movimento combate”, comenta Matheus Rodrigues, presidente do Instituto Beti que está apadrinhando o projeto nesse ano.

O Rapper Japão, um dos convidados do projeto. Créditos: @vandammenoclick

O Rapper Japão, um dos convidados do projeto | Créditos: @vandammenoclick

 

O rapper ceilandense Japão, do grupo Viela 17, é um dos artistas locais convidados pelo Rapensando nas Escolas. Japão acredita que a arte do hip hop como aliada à educação é essencial, pois além de entreter, ele cria um diálogo de fácil entendimento com esses alunos, já que existe um distanciamento das ações do poder público voltadas para a juventude.

“Para mim o hip hop é um instrumento essencial no trabalho social em comunidades, além da fácil compreensão da linguagem, facilita acessos. Faltam muitas informações pertinentes a juventude; o Rapensando nas Escolas serve como aliado para acessibilidade de informação”, acrescenta Japão.

A atriz e arte educadora dos primeiros anos do ensino médio do Centro de Ensino Médio 3 da Ceilândia, Gabriela Rabelo, reforça a importância da arte educação enquanto profissão, instrumento de ensino e comunicação com os alunos.

“Eu escolhi a arte educação porque eu via nesse campo muita subjetividade e ao mesmo tempo liberdade para trabalhar com várias possibilidades. Considero a arte educação justamente esse movimento de tornar a arte um instrumento direto do fazer da educação. A arte se torna um meio, uma linguagem por onde a gente se comunica dentro da aprendizagem. Muitas vezes eu posso não estar ensinando diretamente a prática ou o fazer artístico, mas estou sempre utilizando da referências e linguagem para fazer meu percurso de aprendizado com aqueles alunos. Gosto de lembrar que a arte é uma linguagem e isso significa que ela é comunicadora”, explica Gabriela.

As transmissões acontecem com convidados e especialistas. Créditos: @vandammenoclick

As transmissões acontecem com convidados e especialistas | Créditos: @vandammenoclick

Em 2019, o projeto lançou o documentário “RAPensando nas Escolas – Edição Ceilândia”, exibido na Câmara Legislativa, e contou com o depoimento de alunos, professores, coordenadores pedagógicos e artistas e suas diferentes visões sobre a importância desse trabalho.

Devido à pandemia e as suspensões das aulas presenciais, o projeto adaptou as rodas de conversas e começaram a transmitir os eventos pelo YouTube. A primeira live e décima primeira edição contou com a participação da atriz Maria Paula Fidalgo e o rapper Japão para discutirem sobre o feminicídio.

“O Rapensando nas Escolas precisou também reformular seu formato e hoje está disponibilizando aos alunos da rede de ensino do Distrito Federal e a todo o público interessado, apresentações no formato de live, onde abordamos as vertentes do hip hop com apresentações de DJ’s, MC’s e B-boys, frente aos temas abordados e com convidados especiais para discussão pedagógica da temática,” explica Matheus.

Com o calendário de lives programadas até novembro, o Rapensando nas Escolas tratará de assuntos como saúde mental e bullying, enfretamento as drogas, abuso sexual e racismo, sempre com convidados e artistas locais que apresentam seus trabalhos durante os intervalos.

Para saber mais sobre a programação do Rapensando nas Escolas e as datas das próximas transmissões, acesse o site http://www.rapensandonasescolas.com.br/.

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