Comportamento

You Tube: acessos aos canais infantis aumentam durante a pandemia

O fato é decorrente da quantidade de crianças em casa devido ao distanciamento social e ao fácil acesso à internet

Após um semestre convivendo com adaptações na rotina diária, devido à Covid-19, os brasileiros criaram novos hábitos de entretenimento: os estudos, o trabalho e a diversão os colocam a maior parte do tempo em frente às telas de computadores, tablets ou celulares. Com as crianças não foi diferente; o distanciamento social tirou dos pequeninos a diversão em grandes grupos, mas abriu as portas da internet para eles. O YouTube é a rede campeã  de acesso do público infantil. Pesquisa realizada pelo TIC Kids Online Brasil, em 2019, aponta que  85% da população entre 5 e 17 anos possui acesso a internet.

A programação dos canais vai de pequenos contos, rotina diária dos protagonistas a desafios, brincadeiras e, claro, não poderiam faltar os merchandisings. Os canais de sucesso como Lucas Neto e Maria Clara e JP divulgam seus próprios produtos: bonecos e bonecas dos youtubers famosos têm maior taxa de venda mas as linhas dos brinquedos não param por ai.

As crianças já possuem seus youtubers  favoritos e os pais observam nelas o desejo de imitá-los. A mãe Letícia Santos comenta que sua filha Maria Lavínia de, 6 anos, é fã da Giovanna Neto, youtuber famosa que apresenta o canal Lucas Neto no YouTube. Segundo ela, sua filha imita as frases da dupla de irmãos durante o dia inteiro, além de usar o tablet para filmar pequenos vídeos e enviar nos grupos. “Quando menos espero ela está gravando um mini programa dela, para enviar no grupo da família no WhatsApp, ela é uma fofa, a inocência deixam os vídeos mais extraordinários”.  Maria Lavínia contou que gostaria de ser como seus ídolos famosos: “Eu queria todos os brinquedos para mim, apresentar e fazer as brincadeiras”.

A mãe ressalta que sente maior segurança na assinatura da Netflix, por onde consegue monitorar o acesso da filha a conteúdos específicos apropriados a sua idade, tendo em vista que o YouTube possui anúncios abertos a diversos públicos. “Minha filha pede todos os brinquedos que ela vê, basta terminar o episódio que ela já vêm falar o quanto é bom e lindo. Eu explico que no momento  mamãe não pode comprar, ela entende mas fica triste”. A mãe comenta que alguns valores são exorbitantes.

Riscos causados por falta de cronograma

A má organização dos horários das crianças pode oferecer diferentes riscos, dentre eles estão: a má postura, o excesso de exposição às telas causam danos à visão, a poluição sonora prejudica a audição, a liberdade de navegação pode induzir maus hábitos além do incentivo ao consumismo, a má alimentação e o sedentarismo.

A pedagoga Maria Borges, diz que brincar também é uma forma de aprender.

A pedagoga Maria Borges diz que brincar também é uma forma de aprender

De acordo com a pedagoga Maria Borges, uma melhor distribuição dos horários das crianças é fundamental para o aprendizado. “Brincar é uma forma de aprender e desenvolver a coordenação motora, então se faz necessário que as crianças tenham um momento ao ar livre. Neste momento de pandemia podemos montar um cantinho para brinquedos e atividades motoras para que esta criança não fique apenas na TV”.

Ela ressalta que existem canais educativos que podem ser significantes no aprendizado. “Canais como o Mundo Bita, dentre outros, trazem novidades em canções sobre o cotidiano das crianças e aprender cantando é maravilhoso para elas. A fiscalização dos pais é crucial, já que a internet é bastante influenciadora devemos conversar com nossas crianças e sanar todas as dúvidas que forem surgindo e que vão, sim, surgir, até por que elas estão descobrindo o mundo e vamos ajudar a descobrir da melhor forma. Como gosto de dizer é colocar todos os pingos nos is”.

Cabe aos pais e responsáveis organizarem para essas crianças uma rotina e introduzi-la aos poucos na dia-a-dia dos filhos, para que eles não se tornem dependentes dos vídeos. Além de passarem um pente fino nos canais mais visitados por essa criança, já que alguns canais oferecem riscos devido ao conteúdo apresentado em inúmeras  brincadeiras inapropriadas às  faixas etárias. “São vários os relatos das mães reclamando das brincadeiras que em grande parte são irresponsáveis. As crianças estão propensas a reproduzirem o que estão vendo o que pode acarretar em acidentes domésticos, então  é muito importante estar ciente do que elas estão consumindo”, afirma a psicóloga Clara Brandão.

Pensando na exposição das crianças a conteúdos  inapropriados, o YouTube criou em 2016, o YouTube  kids, plataforma onde é possível selecionar por faixa etária os conteúdos exibidos, além de ser livre de anúncios. Em pesquisa realizada pela rede social fornece a lista dos canais mais acessados e o número de inscritos.

1-       Lucas Neto – 32, 2 mi inscritos

2-      Galinha Pintadinha –  24,1 mi inscritos

3-      Maria Clara e JP – 22,5 mi inscritos

4-      Valentina Pontes – 20, 6 mi inscritos

5-      Totoy kids – 17, 2 mi inscritos

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