Saúde

Isolamento social: aumenta o número de pessoas sedentárias no Brasil

Maior tempo em casa e falta de exercícios acarretam em ganho de peso na população

Segundo pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 47% da população brasileira não realiza o mínimo de atividades físicas para se manter ativa; de acordo com os dados divulgados pela entidade 150 minutos de atividades semanais são suficientes para manter o corpo ativo. O isolamento social fechou as portas de inúmeros estabelecimentos e colocou a população em suas casas e apartamentos alavancando o número de pessoas inativas fisicamente. O conforto do lar tende a propiciar o ambiente de repouso e comodidade acarretando no desenvolvimento e agravamento de doenças.

Arthur Medeiros é estudante de medicina e gosta de praticar atividades ao ar livre. “Antes da pandemia e todas as medidas de segurança que foram adotadas, eu gostava de ir ao lago andar de caiaque, nadar um pouco e fazer pequenas viagens. Buscava estar em contato com a natureza de algum modo. Agora o mais próximo que eu consigo é buscando na TV por programas relacionados ao meio ambiente”. Aos risos ele afirma que teve aumento de cinco quilos.

Buscar por medidas alternativas para se manter ativo e evitar o sedentarismo e os perigos advindos dele é fundamental. Segundo o personal trainer Luan Costa o difícil será fugir das distrações eletrônicas e tentações alimentares que se intensificam em casa. “Quando a pessoa não tem disciplina alimentar ela fica inclinada a consumir alimentos gordurosos e doces e o problema não é comer besteiras e sim não fazer nada pra queimar a gordura adquirida”.

Ele indica a prática de exercícios com o peso do corpo ou qualquer outro que melhor se identifique. “Dez minutinhos já fazem a diferença e para as pessoas que não sabem por onde começar eu recomendo canais de profissionais no YouTube. Existem vários que são direcionados exatamente para exercícios domiciliares. O importante nesse momento é se manter em movimento e evitar o máximo possível a inércia que as nossas mobílias oferecem”.

O alarme para os cuidados diários com o corpo não para de soar 

Priscilla Almeida, autônoma, relata que estava na academia há 6 meses na luta contra o peso excessivo, mas a pandemia a desmotivou. “Eu estava fazendo acompanhamento com a nutricionista e seguindo a dieta corretamente e obtive resultado, mas agora tenho medo de voltar pra academia. Estou na faixa de risco e por enquanto prefiro ficar em casa mesmo que signifique ganhar meus quilinhos de volta. Eu substitui a academia pela Netflix. É errado, eu sei”. Ela diz ter medo do ambiente compartilhado da academia já que é fechado.

Após o relaxamento das normas de distanciamento social uma pequena parcela da população buscou por personais para fazer acompanhamento em lugares públicos e bem arejados. “Tenho clientes de faixas etárias diferentes que acompanho durante a semana, fazemos séries de atividades por uma hora em locais diferentes como: parques, praças, em pequenas áreas verdes dos condomínios. Estamos contentes em poder sair dos apartamentos e sentir a brisa refrescante após a conclusão dos treinos”, conclui Luan.

 

"Manter o equilíbrio entre os alimentos é fundamental" Ana Carolina Lira.

“Manter o equilíbrio entre os alimentos é fundamental”, diz a nutricionista Ana Carolina Lira

Segundo a nutricionista Ana Carolina Lira, o sedentarismo associado à má alimentação decorrente do isolamento social pela Covid-19 podem levar à obesidade .“Veja bem, 55,7 % da população brasileira está com excesso de peso, se caímos e rolamos nos braços do sedentarismo esse número tende a subir ainda mais e o problema está na quantidade de doenças a que ficaremos suscetíveis”.

Ela comenta que o excesso de gordura baixa a imunidade e abre as portas para novas doenças. “A Covid-19 é uma delas mas não é a única, a obesidade traz com ela: diabetes, asma, cardiopatias, tromboses, taxas elevadíssimas de colesterol, hipertensão dentre outras. E a pessoa vai acabar precisando realizar exercícios e controlar principalmente a alimentação”. Ela ressalta que não precisamos ser severos com o que ingerimos, mas nosso corpo  necessita de cuidados, então,  pode um dia exagerar no doce? Pode, mas compensando com alimentos saudáveis.

 

Em pesquisa divulgada pela Vigilância de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), em 2018, as taxas de sobre peso percentuais do Distrito Federal – DF entre homens maiores de 18 anos atingem 57%; já entre as mulheres na mesma faixa etária o percentual apresenta queda em 10%, totalizando 47% da população feminina do DF com excesso de peso. A pesquisa se estende para todos os estados do Brasil. Acompanhe a pesquisa completa em:  http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-brasil-2018.pdf

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