Saúde

DF bate recorde de calor. saiba quais são os cuidados necessários em tempos de seca

Em 8 de outubro, a temperatura na capital atingiu 37ºC. Especialistas alertam para risco de desidratação, hipertermia e agravamento de doenças.

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Pela quarta vez no ano, o Distrito Federal (DF) bateu novo recorde de calor, em 8 de outubro. Com 37,3ºC e 12% de umidade, segundo o Instituto de Meteorologia (Inmet), a capital não marcava essa temperatura desde 2017. Por causa do tempo seco e das temperaturas elevadas, pela segunda semana consecutiva, o Instituto emitiu alerta vermelho para risco de morte por hipertermia no DF, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. A hipertermia ocorre quando a temperatura do corpo humano ultrapassa 40ºC. Esse tipo de aviso é emitido quando as temperaturas registradas superam em cinco graus a temperatura média em determinado local.

Porém, além do risco de hipertermia, o excesso de calor e de baixa umidade trazem outras consequências para a saúde, e podem até mesmo agravar doenças crônicas. Ana Beatriz Costa, estudante de 20 anos, tem asma, e por isso, não pode usar o ar condicionado com frequência. Mesmo ficando em casa a maior parte do tempo, e se hidratando a todo momento, ela tem sentido tonturas e dores de cabeça nos últimos dias. “Bebo cerca de 2 litros de água por dia, mas mesmo assim me sinto fraca. Parece que preciso ter mais força para fazer coisas que eu já fazia”, conta a jovem. “O pior é que aqui em casa só tem um ventilador, então eu e minha mãe precisamos revezar o tempo todo. Para dormir nesse calor, é mais difícil ainda”.

Ana e sua mãe também comandam um hotel para cachorros, e por isso, a casa delas sempre está repleta de animais. Ela explica que também é preciso ter cuidados específicos com os pets para mantê-los hidratados no calor. “O meu gato tá sofrendo muito com o calor, então eu hidrato as patinhas e o nariz dele e dos outros hóspedes todos os dias. Também coloco algumas pedras de gelo na água deles”, conta a estudante.

Os bichinhos de estimação também sofrem com o calor. Para evitar problemas na saúde dos animais, a Ana e a mãe dela hidratam com soro o nariz e as patas dos cachorros que se hospedam em sua casa | FOTO: Ana Beatriz Costa / Arquivo Pessoal

Os bichinhos de estimação também sofrem com o calor. Para evitar problemas na saúde dos animais, a Ana e a mãe dela hidratam com soro o nariz e as patas dos cachorros que se hospedam em sua casa | FOTO: Ana Beatriz Costa / Arquivo Pessoal

Por causa do calor, alguns donos até compraram tapetes de gelo para seus pets. É o caso da Nutella, que está hospedada na casa de Ana Beatriz e passa o dia se refrescando | FOTO: Ana Beatriz Costa / Arquivo Pessoal

Por causa do calor, alguns donos até compraram tapetes de gelo para seus pets. É o caso da Nutella, que está hospedada na casa de Ana Beatriz e passa o dia se refrescando | FOTO: Ana Beatriz Costa / Arquivo Pessoal

Já o estudante Rodrigo Góes, de 21 anos, tem o costume de caminhar quase diariamente no Parque da Cidade ou na rua em que mora, no Park Way. Porém, em um final de semana, esqueceu de se hidratar devidamente, e acabou desmaiando após uma corrida no parque. “Resolvi sair para correr com um amigo em torno das 15h no sábado, mas naquele dia estava fazendo cerca de 36ºC, e eu também não tinha me alimentado direito no dia, nem tomado água suficiente. O sol estava muito forte, então depois de uns 15 minutos caminhando, senti uma tontura forte e precisei sentar. Quando sentei, desmaiei na hora”, conta o estudante. Depois disso, ele passou a se hidratar de hora em hora, e resolveu não realizar atividades físicas durante o dia, pelo menos até a onda de calor passar.

 

Mesmo em casa, no ar condicionado, Rodrigo passou a beber água de hora em hora, e até colocou um alarme no celular para lembrar de se hidratar | FOTO: Rodrigo Goes / Arquivo Pessoal

Mesmo em casa, no ar condicionado, Rodrigo passou a beber água de hora em hora, e até colocou um alarme no celular para lembrar de se hidratar | FOTO: Rodrigo Goes / Arquivo Pessoal

Cuidados gerais

Para especialistas, em tempos de seca e temperaturas tão altas, é melhor evitar exercícios rigorosos. Segundo a médica Marília Bonfim, clínica geral, um cuidado é fundamental para encarar esse período: beber muita água. “Mas não pode ter o exagero de líquidos. Em média, a gente calcula por quilo de peso. De 30 a 35 ml por quilo de peso, é a quantidade ideal que a pessoa deve beber de água no dia. Claro que nesse caso não deve contar com refrigerante, cerveja, esse tipo de líquido”, explica a médica. Ela lista outros cuidados importantes para essa época: procurar ficar em ambientes mais frescos, usar roupas leves, evitar exercícios pesados (principalmente ao ar livre e em horários mais quentes), hidratar a pele com cremes, usar umidificadores e sprays borrifadores, e não exagerar no uso do ar condicionado.

A médica explica que o maior perigo não é o calor em si, mas a seca que toma conta da capital nos últimos dias. “A umidade muito baixa, associada ao calor, pode causar uma síncope. Isso é provocado devido a vasodilatação periférica, que faz com que o volume intravascular seja reduzido. Isso causa pressão baixa, e a pessoa pode até perder a consciência”, afirma Marília Bonfim. De acordo com ela, os mais vulneráveis ao tempo seco e quente são crianças, idosos, e aqueles com peles mais claras, que se submetem a exposição solar.

“Na hora que o sol está mais forte, o calor também está maior, o que representa um risco de queimadura de primeiro grau, então a pessoa desidrata mais rápido. Quem tem que ter mais cuidado são os idosos e as crianças, porque são pessoas que muitas vezes não têm noção do tempo de exposição”, explica a clínica médica. Segundo ela, doenças como rinites, sinusites, e conjuntivites podem se agravar e até mesmo surgir durante a seca.

Os quadros de asma, enxaqueca, problemas renais, dermatites alérgicas, e dermatites em geral, também podem se agravar por conta da pele muito seca. “Além disso, é uma época em que causa intenso mal estar, independente da pessoa morrer ou não, mas dá uma série de sintomas que se confundem com outras doenças. Mal estar, fraqueza, enjoo, dor de cabeça”, diz.

De acordo com Ana Helena Germoglio, infectologista do Hospital Águas Claras, a elevação da temperatura corporal também pode causar o mau funcionamento da maioria dos órgãos e, até mesmo a insuficiência destes. “Tal elevação extrema às vezes resulta de infecção muito grave, mas é mais comum ser causada por insolações”, explica a médica. Ela cita a termoplegia –insolação por excesso de exposição aos raios solares– como um dos possíveis efeitos do excesso de calor. “A termoplegia clássica ocorre, principalmente, durante as ondas de calor, sendo os idosos a população de maior risco, mas outra forma de termoplegia é a deflagrada pela prática de atividade física em ambiente aquecido”, acrescenta.

A onda de calor histórica se estende por todo o país, e segundo meteorologistas e ambientalistas, esses fenômenos devem se tornar cada vez mais comuns no mundo inteiro devido ao aquecimento global. “O aquecimento global está fazendo com que o sistema atmosférico tenha mais energia do que há 40 anos. Essa energia precisa ser dissipada de alguma maneira, e uma das maneiras que o sistema tem para dissipar essa energia excedente é através de ondas de calor, furacões mais frequentes, é através desses eventos mais extremos”, explicou o professor da USP Paulo Artaxo, integrante do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), ao podcast ‘O Assunto’, da jornalista Renata Loprete, do último dia 8.

Mas segundo o Clima Tempo, a onda de calor pode chegar ao fim neste fim de semana para algumas regiões. E de acordo com o Inmet, há chances de chuvas a partir do sábado (10/10) em todas as regiões. Mas ainda é preciso tomar cuidado, pois o Instituto não descarta a possibilidade de queda de granizo e ainda sim prevê altas temperaturas. Neste ano, o DF chegou a ficar mais de 110 dias sem chuvas.

 

 

 

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