Cultura

O impulso que as plataformas de streaming proporcionam ao audiovisual latino-americano

De que maneira os produtores estão se adaptando aos formatos de streaming para atingir novos públicos

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Os serviços de streaming como Netflix, Amazon Prime Vídeo e mais recentemente, Disney+, se tornaram concorrentes diretos de cinemas e TVs no mundo todo. O cenário latino vem usufruindo desses formatos como grande impulsionador de seus produtos e talentos, de modo que consiga alcançar públicos diversos dentro e fora da América Latina.

Desde que chegou aos países latino-americanos em 2011 a Netflix trouxe um novo formato de baixo custo para o espectador consumir conteúdos audiovisuais, alavancando assim o crescimento das produções locais. A Netflix possui cerca de 29 milhões de usuários de seus serviços na América Latina. Hoje é possível enxergar o cenário em uma linha crescente, já que suas concorrentes também passaram a impulsionar os produtores da região.

Esse crescimento e alcance deu mais liberdade aos criadores que agora não se limitam apenas às salas de cinema. Segundo Paulo Duro Moraes, professor de cinema e mídias digitais do Centro Universitário IESB, os serviços de streaming impulsionam mais aqueles desenvolvedores que já possuem produtos prontos para a distribuição.

“Existem muitos filmes brasileiros no catálogo dos streamings e nesse ponto é o que facilita muito. Quando você já tem o produto pronto para exibição acaba se tornando mais fácil ingressar nessas plataformas, já para produzir um projeto audiovisual é um pouco mais complexo. ”

Paulo acredita que o futuro das produções audiovisuais está ligado ao streaming por serem ferramentas de fácil acesso e de valor aquisitivo mais em conta em comparação com as salas de cinema. “Temos que pensar em novas janelas, não só as plataformas de streaming como também o Youtube. Ir às salas de cinema hoje é pouco acessível, então temos que buscar alternativas para alcançar mais público e os streamings são opções que podem contornar algumas limitações. ”

O jornalista e estudante de cinema do Centro Universitário Estácio, João Paulo Cavalcante aponta que o cenário atual é bem favorável ao crescimento dos streaming e por conta desse fácil acesso muitas oportunidades vão surgir para quem trabalha no meio. “Acredito que esse é um caminho sem volta para a indústria que produz conteúdo audiovisual, pois é um dos modelos de negócios com maior crescimento exponencial nos últimos anos. Na pandemia, por exemplo, o streaming ganhou maior destaque com essa forma de atuação e exibição pela internet. O fluxo de consumo mudou e a tendência é de que a produção também mude, se adapte às novas realidades e se torne mais acessível a todos. ”

Ele ainda pontua que os streamings trazem mais diversidade nos conteúdos e mais oportunidades para os profissionais do audiovisual. “Muitos projetos hoje são produzidos e customizados especialmente para consumo via internet, para serviços de streaming. Houve um aumento na criação de séries documentais, documentários e animações, inclusive hoje já é possível interagir diretamente com os conteúdos escolhendo as decisões e o final do que você está assistindo. ”

João enxerga um cenário muito mais otimista e amplo em breve. “A internet é uma excelente alternativa e ‘vitrine’ para lançamento e distribuição de produções autorais que dificilmente teriam atenção de alguma produtora ou que teria pouco sucesso no formato tradicional de lançamento. Acredito que esse movimento é o que deve acelerar a produção de conteúdo nos próximos anos. ”

Dados da pesquisa feita pela TIC Domicílios 2019 mostram que no Brasil atualmente são 134 milhões de usuários de internet, onde cerca de 80% desses usuários afirmam que acessam o Youtube com frequência.

Já para o ator Reyson Gomes Moraes os serviços de streaming estão substituindo outros mercados, o que não é necessariamente algo que amplie as oportunidades no campo de trabalho das artes cênicas. “O streaming está aos poucos substituindo outros mercados que estão com baixo consumo, logo, estamos tentando nos adaptar a esse mercado e procurando sobreviver desse trabalho. Ainda passamos por dificuldades na valorização do ator no Brasil, e até que o contrário aconteça, temos um longo chão pela frente em nossas carreiras. ”

Adaptação

Como todo novo modelo quando é implementado, existem algumas atribulações no processo. De acordo com o professor Paulo é preciso registrar as produções para proteger os direitos autorais principalmente na internet, buscando alternativas mais seguras nessas plataformas. “Se você tem o roteiro do seu trabalho é preciso registrar na Secretária do Audiovisual. Outra forma de se proteger é utilizando plataformas como o VIMEO que são mais difíceis de piratear. ”

Ainda falando sobre as complexidades das plataformas, ele destaca a presença do algoritmo. “É preciso diversificar os circuitos de exibição dos conteúdos, buscar opções para escapar da bolha, como as exibições em festivais de cinema, que agora por conta da pandemia estão acontecendo online. ”

Reyson ainda acreditar ser mais difícil para o ofício de ator entender toda essa mudança. Para ele as dificuldades são ainda mais complexas já que refletem padrões e estereótipos convencionais mesmo que seja em outras plataformas de exibição. “Assim como o cinema e a televisão abriram portas para os atores, o início do streaming no Brasil está fazendo seu respectivo papel, porém, por ser um novo formato de mercado, ainda estamos nos adaptando. No trabalho audiovisual existe um certo padrão que é imposto, e nem todos os atores se encaixam nesse padrão, ou conseguem adentrar tão facilmente quanto atores que já são reconhecidos. ”

No que diz respeito ao processo de criação João explica que o principal problema ainda é a falta de verba, mesmo se tratando dos serviços de streaming. “Talvez a maior dificuldade ainda seja a forma de captação de recursos, a ausência de legislação que atinge a maioria dos negócios da internet e a desconfiança de público mais ‘tradicional’ com relação a esse novo formato. Mas tenho visto vários produtores se mobilizando através de campanhas de financiamento coletivo, organização de mini festivais de cinemas, buscando parcerias e colaboração entre criadores e indivíduos interessados em um projeto e no seu desenvolvimento. ”

Algumas ferramentas para estimular ainda mais as produções locais podem ser utilizadas, como o que aconteceu na Europa em 2018 com a regulação dos streamings. Ficou determinado que as plataformas devem disponibilizar produções locais em 30% do seu conteúdo exibido.

Plataformas de streaming atuam como facilitadoras no acesso a conteúdos audiovisuais| Freepik

Plataformas de streaming atuam como facilitadoras no acesso a conteúdos audiovisuais| Freepik

 

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