Entrevistas

Adriana Lodi, mestra, atriz e aprendiz

Atriz Adriana Lodi é reconhecida como uma das grandes mestras do teatro da cidade. Ela já atou em peças, filmes e seus cursos formaram diversas gerações de atores e atrizes

Adriana Lodi, de 49 anos, é atriz, professora, diretora de teatro e mudou-se para Brasília, com a mãe, no final dos anos 70. Foi nessa época que conheceu o Espaço Renato Russo da 508 sul, quando ainda se chamava Centro de Criatividade. Foi lá que teve seu primeiro contato com o teatro e, anos depois, foi no mesmo espaço, que ministrou a maior parte dos seus cursos, que formaram diversas gerações de atores e atrizes da cidade. Dinha, como é chamada carinhosamente, já participou de peças que marcaram época, como Os demônios, de Antonio Abujamra e Hugo Rodas; nas telonas, ela fez parte do elenco do filme Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte. Durante a sua caminhada ela está sempre transitando entre as aulas, os palcos e o cinema.

Entre 2001 e 2013, Dinha desenvolveu o projeto gratuito de formação de atores no Espaço Cultural Renato Russo da 508 Sul por meio da Oficina Teatrando. Atuou ainda por 4 anos como professora de Teatro na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Tem experiência na área de artes, com ênfase em teatro e cinema, atuando principalmente nos seguintes temas: teatro, interpretação teatral, cinema, mídias pedagógicas, formação de atores e educação.

Como tudo começou?

Comecei com uns 13 anos e nunca mais parei. Eu era muito tímida na época, tinha um namorado e a irmã dele fazia teatro lá na 508 Sul. Fui lá porque disseram que estavam selecionando pessoas e fui como uma acompanhante, uma espectadora, mas quando cheguei, não podia ficar só olhando, tive que participar. Tremi toda na minha vez, aquilo não fazia parte da minha realidade. O professor sugeriu que eu fizesse uma velhinha, foi uma experiência interessante porque eu usei toda a minha ansiedade, inexperiência, minha falta de controle e de equilíbrio pra conseguir fazer aquele teste.
Como eu não tinha nenhuma experiência, o professor do grupo criou uma personagem pra mim, só que ela entrava no palco muda e saía calada, não tinha nenhuma função, era a mulher de um japonês. Ele fazia um buraquinho na terra e eu plantava uma sementinha invisível. Foi muito interessante ficar dentro de um grupo de teatro durante um ano. Aprendi muito nessa rotina de me colocar muda. A peça tinha 1h20 e eu ficava na coxia 1h10 esperando para fazer 30 segundos de cena. Isso fortaleceu minha vontade, disciplina, o entendimento do que é fazer teatro de grupo, ser parte de um coletivo. Na sequência disso comecei a me aprofundar no teatro amador e a gente se apresentava no Jogo de Cena, Feira de Música e Concerto Cabeças, era um momento que Brasília estava fervilhando culturalmente.

 Como era a cena do teatro em Brasília nessa época?

Tinham muitos espaços alternativos. O auditório da ABO no final da L2 sul, o Teatro Garagem, que sempre foi palco de diversas produções maravilhosas. O próprio Centro de Criatividade sempre foi muito movimentado com o Teatro Galpão e o Galpãozinho. Esses eram os espaços que eu frequentava. E ali eu via Hugo Rodas e o Fernando Villar. Os dois realizavam trabalhos de pesquisa e oficina dentro do Centro de Criatividade. Era um espaço que você podia bisbilhotar atrás das portas, ver um ensaio e até assistir uma aula de ouvinte. Fora do Plano Piloto a gente sempre dava um pulo no teatro da praça em Taguatinga ver o Ary Pára-Raios e o grupo Esquadrão da Vida. Era muito excitante tudo isso!

Como foi que surgiu a ideia de fazer um curso gratuito de teatro?

Eu tinha passado em um concurso da Secretaria de educação e fui convidada pela Marta Benévolo, que na época era a diretora do espaço cultural da 508 Sul, a desenvolver um trabalho de oficinas gratuitas lá. Para mim foi um sonho pois tive a oportunidade de retribuir para o mesmo berço, democrático, gratuito e público que a cidade me deu. E lá fiquei contribuindo para a formação de milhares de pessoas por 14 anos.

E na sua visão, como anda o teatro em Brasília?

O teatro de Brasília tem várias faces. E na minha opinião isso é muito bom. A gente tem desde um besteirol comercial forte e bem feito, tem um teatro de pesquisa e bem interessante que é a cara da cidade e atualmente temos ainda uma linha já consolidada de performances, que mistura muitas linguagens e fazem o teatro chegar em qualquer lugar até na própria rua.

Foto do elenco da peça Os Fantasmas: dá esquerda para direita Adriana Lodi, Hugo Rodas, Murilo Grossi e William Ferreira

Foto do elenco da peça Os Fantasmas: da esquerda para direita Adriana Lodi, Hugo Rodas, Murilo Grossi e William Ferreira

Conta um pouco do seu currículo e dos trabalhos dos quais você já participou.

Coordenei as atividades formativas do Festival Internacional de Teatro de Brasília – Cena Contemporânea de 2007 à 2015. Atuei nos espetáculos: Os Fantasmas – direção de Hugo Rodas; Inventários e Bagatelas – direção de Guilherme Reis; Cabaré das Donzelas Inocentes – direção de Murilo Grossi e William Ferreira; Os Demônios – direção de Antônio Abujamra e Hugo Rodas; Aquilo que Serve de Lembrança – direção: Irmãos Guimarães; Projekt Ophélia, direção de Fernando Villar; Cartas de um Sedutor, de Hilda Hilst, direção de Genilson Pulcineli e Willian Ferreira, entre outros.

Dirigi cerca de 25 espetáculos resultantes de processos pedagógicos inventivos. Alguns longas: Se nada Mais der Certo, de José Eduardo Belmonte; O Outro Lado do Paraíso, de André Ristum (indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante no Festival de Gramado – 2016); Até que a Casa Caia, de Mauro Giuntini. Alguns curtas que atuei foram: Uma Questão de Tempo, de Catarina Accioly e Gustavo Galvão; Cidade Vazia de Cássio Pereira, A Noite por Testemunha de Bruno Torres. Recebi ainda o prêmio de melhor atriz pelo curta Entre Cores e Navalhas nos festivais de cinema de Guarnicê, no Maranhão, e em Triunfo, em Pernambuco.

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