Moradores do Guará II se unem para revitalizar parque com recursos próprios

Por enquanto, vaquinha viabilizou a compra de tabelas de basquete


Maximus José Lavers Hernández

Postado em 20/03/2025

Tabela de basquete do Parque Ecológico Ezechias Heringer (Guará II)


O Parque Ecológico Ezechias Heringer, situado na região administrativa do Guará (Guará II), necessita de revitalização. O complexo esportivo conta com duas quadras de basquete. Em uma delas, ambas as tabelas estão enferrujadas, o que representa um risco para quem for utilizá-las, podendo até contrair tétano. Na outra quadra, uma tabela e um aro também estavam em péssimas condições. Essa situação gerou reclamações por parte dos moradores, que procuraram a administração do parque, mas as queixas não foram atendidas.

Após perderem as esperanças nas medidas administrativas, e de um aro ter caído, quase acertando uma criança, os frequentadores fizeram uma “vaquinha”, reunindo dinheiro durante meses e comprando duas tabelas.

Mato alto (Parque Ecológico Ezechias Heringer)


Um morador local que não quis se identificar falou sobre a importância de ter um espaço público que ofereça o mínimo para praticar um esporte. “Para mim é importante para o desenvolvimento, e é uma forma de tirar menores de idade que podem ir para um caminho errado e colocar no esporte”. Ele também comentou sobre a distância de sua casa para o parque. “Mesmo morando no Guará, eu moro muito longe daqui, eu ando quatro quilômetros para chegar. Perto da minha casa não tem quadra de basquete”, complementa.

Alexandre Gois de Castro, atleta amador de basquete, contou sobre o processo de colocação das tabelas. “Depois que a gente juntou o dinheiro, entre umas vinte e cinco pessoas, pegamos um andaime emprestado e a troca de tabelas foi feita por quatro ou cinco jogadores da quadra”.

O morador do Guará que organizou a arrecadação preferiu manter sua identidade em anonimato. Ele revelou que após várias tentativas com diferentes órgãos públicos, políticos durante o período eleitoral e até a oferta mão de obra gratuita para realizar o serviço, nada foi resolvido. O líder comunitário ainda destaca que o problema não se limita apenas à quadra ou ao concreto, onde as pessoas frequentemente torcem o tornozelo devido à falta de limpeza adequada, mas também se estende à grama.

O mato alto tem sido um verdadeiro problema. Recentemente, uma cobra venenosa foi avistada perto da quadra. Dias depois, perto da área infantil, o filho desse morador quase pisou numa tarântula de grande porte. Ao redor havia outras cinco crianças que poderiam ter se machucado.

Tabela revitalizada pelos frequentadores do Parque Ecológico Ezechias Heringer


Através do canal de atendimento do Governo do Distrito Federal, número 162, foi informado que a pasta que responde a esse tipo de situação é a própria Administração Regional do Guará.

O Assessor de Comunicação da Administração Regional do Guará, Rafael Maximo, explicou que esse número é uma espécie de “central”, onde a pessoa é direcionada para o setor que deseja conversar. Questionado sobre o vínculo do Parque Ecológico Ezechias Heringer com a Administração do Guará, ele disse que parte da responsabilidade é do IBRAM (Instituto Brasília Ambiental).

Simone Vaz Holanda, da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e também coordenadora do comitê de Plantio do Guará (Projeto Tempo de Plantar), explica como funciona o processo de revitalização nesse caso. “Por ser um parque ecológico, ou seja, uma unidade de conservação, é necessário apresentar a proposta para o IBRAM, que é quem gerencia o parque. Se fosse um parque urbano, a autorização seria com a administração da região.”

Ela acrescenta que normalmente tratam-se de avaliações e análises rigorosas. “Teve uma época que gostaríamos de instalar uma placa, eles exigiram que fosse no modelo que é exigido pelo parque, a nossa placa era em outro formato e não foi aceito, tudo tem que passar pelo crivo, e eles têm a autonomia de dizer sim ou não.”

E até mesmo quando essas medidas são aprovadas, o material utilizado pode se desgastar e oferecer os mesmos problemas de antes. Sobre isso, o engenheiro civil Igor Fernando Botelho da Silva explica os fatores mais críticos. “Os motivos que mais contribuem para o desgaste são a falta de manutenção preventiva, que muitas vezes é negligenciada e só é realizada quando a área afetada já se encontra em um estado severo de degradação.”

Em relação à possibilidade de questionamento judicial sobre a falta de revitalização de praças e parques, e os perigos à saúde que isso acarreta, a advogada Michelle Oliveira comenta. “A omissão na fiscalização e a manutenção inadequada podem levar à responsabilização civil da administração pública, que tem o dever de garantir a segurança e o bem-estar da população.”