Tecnologia aérea otimiza fiscalização e preservação ambiental no Brasil

Com imagens de alta precisão, órgãos como Embrapa e ICMBio otimizam a fiscalização e a preservação de ecossistemas utilizando tecnologias de conservação.

Ana Luísa Miranda

Postado em 31/03/2025

A aplicação de drones e novas tecnologias na conservação ambiental tem crescido de forma expressiva no Brasil, proporcionando novas perspectivas para o monitoramento e manejo sustentável dos recursos naturais. Esses veículos aéreos não tripulados (VANTs), conhecidos popularmente apenas como drones, são equipados com sensores de alta resolução e inteligência artificial, permitindo a captação de imagens detalhadas, auxiliando na fiscalização ambiental. Com a flexibilidade de operação e a capacidade de fornecer dados em alta resolução, a tecnologia se mostra uma aliada eficiente para o setor.

A unidade da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) no Acre tem sido pioneira no uso de drones para o monitoramento florestal no país. Desde 2015, a instituição realiza manejo florestal de precisão com essas aeronaves, permitindo a análise detalhada de grandes áreas: “O uso desses equipamentos nos deu uma perspectiva diferente, a de observar a floresta por cima, pelo dossel”, explica o engenheiro-agrônomo da Embrapa Evandro Orfanó.

Os drones adotados pelo ICMBio são utilizados tanto para a fiscalização ambiental quanto para a verificação e certificação complementar às imagens de satélite. Foto: Ana Luísa Miranda.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, também tem investido no uso de drones para monitoramento e fiscalização das florestas nacionais. Em 2023, o instituto recebeu 12 drones para operar no bioma amazônico, abrangendo os estados do Pará, Amazonas e Rondônia. Os equipamentos foram adquiridos pelo Projeto Gestão Florestal para Produção Sustentável, com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento KfW, totalizando um investimento de R$400 mil.

Os drones fornecem imagens detalhadas e de alta frequência, permitindo uma atuação mais eficiente dos agentes ambientais na fiscalização de áreas protegidas. A tecnologia é utilizada para fiscalizar atividades ilegais como desmatamento, extração irregular de madeira, garimpo clandestino e caça predatória.

Segundo o analista ambiental do ICMBio, Pedro Carlos de Oliveira Junior, especialista em drones para uso civil e comercial, o uso dessas aeronaves garante maior segurança para as equipes de fiscalização, possibilitando a inspeção remota antes da chegada dos agentes ao local. “Após a aquisição desses drones, as equipes passam a contar com um poder a mais para inspecionar as áreas protegidas, sem necessariamente estar fisicamente no local”, ressalta.

Além de aumentar a eficiência do monitoramento, os drones reduzem custos operacionais e permitem uma resposta mais rápida a eventos críticos, como incêndios florestais. O Brasil possui aproximadamente 4,9 milhões de km² de florestas (IBGE), o que torna o monitoramento um grande desafio. Tradicionalmente, a fiscalização dependia de imagens de satélite ou de observações presenciais de pesquisadores, métodos que, embora eficazes, apresentam suas limitações. O uso de drones preenche essa lacuna ao oferecer dados em tempo real e maior flexibilidade na coleta de informações, independente das condições climáticas ou geográficas.

O futuro da tecnologia na conservação

A WWF-Brasil reforça que, embora a tecnologia por si só não seja capaz de conservar a biodiversidade, ferramentas como satélites, drones e sensores remotos desempenham um papel essencial na coleta e análise de dados ambientais. Quando utilizadas de forma estratégica, essas soluções possibilitam uma melhor compreensão dos habitats e das ameaças que eles enfrentam, contribuindo para decisões mais eficazes no manejo de áreas protegidas.

Com apoio da tecnologia, cientistas monitoram mudanças em tempo real e planejam ações de restauração. Foto: Ana Luísa Miranda.

A flexibilidade operacional dos drones oferece vantagens significativas em relação a outras formas de sensoriamento remoto. Diferentemente dos satélites, que podem ser prejudicados por fatores climáticos, os drones operam sob demanda, permitindo o controle total da frequência, resolução e área de mapeamento. Essa característica torna a tecnologia uma ferramenta valiosa para a fiscalização e para o aprimoramento das práticas agrícolas e florestais.

Segundo a WWF, com investimentos contínuos em pesquisa e capacitação, o país pode ampliar o uso dessas ferramentas e fortalecer a proteção de seus recursos naturais para as futuras gerações. Se bem estruturada e incorporada às políticas ambientais e agrícolas do país, a tecnologia dos drones pode se consolidar como um dos principais pilares da conservação e do desenvolvimento sustentável no Brasil.