Alimentação na gestação afeta saúde da mãe e do bebê
Bons hábitos alimentares impactam no crescimento e desenvolvimento do feto, além de evitarem doenças maternas como diabetes e hipertensão
Postado em 25/03/2025

A alimentação durante a gestação desempenha um papel importante no desenvolvimento saudável do bebê e no bem-estar da mãe. Durante os nove meses de gestação, o corpo da mulher passa por inúmeras transformações, que exigem cuidados especiais com a nutrição. A má alimentação pode trazer sérios riscos: complicações na gravidez, diabetes gestacional e hipertensão, além de afetar o desenvolvimento do feto. É essencial que a gestante adapte sua dieta para garantir o fornecimento de todos os nutrientes necessários para ter uma gestação mais tranquila.
De acordo com Larissa Bessa, nutricionista especializada em nutrição materno-infantil, uma alimentação adequada na gestação garante um ganho de peso saudável para a mãe e um desenvolvimento adequado para o bebê. “A dieta deve ser variada e nutritiva, facilitando a introdução alimentar e gerando hábitos e preferências saudáveis desde a gestação”. Uma alimentação equilibrada também é fundamental para assegurar o ganho de peso saudável tanto para a mãe quanto para o bebê. E Larissa adverte: “A gestação não é o momento para dietas rigorosas ou para restrições alimentares extremas, mas sim para um cuidado especial com a qualidade dos alimentos consumidos”.
Nutrição adequada e os principais nutrientes para a saúde da mãe e do bebê
É recomendada uma dieta rica em frutas, vegetais, proteínas magras, carboidratos complexos e gorduras saudáveis. “A ingestão adequada de vitaminas e minerais, como ácido fólico, ferro, cálcio e vitamina D, é essencial para prevenir complicações durante a gestação e para o desenvolvimento do sistema nervoso e ósseo do bebê”, explica Larissa. O ganho de peso durante a gestação deve ser gradual e controlado, com foco em um aumento saudável, sem exageros que possam levar a complicações como a obesidade gestacional.
A gestante deve priorizar alimentos frescos e naturais, como hortaliças, legumes, frutas, carnes magras e grãos integrais, que são ricos em nutrientes essenciais. Além disso, é importante evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, como fast food, doces e refrigerantes, que possuem grande quantidade de açúcar, gordura saturada e sódio, prejudicando não apenas a saúde da mãe, mas também o desenvolvimento fetal.
Em paralelo ao cuidado com a alimentação, a hidratação também é um aspecto fundamental. A ingestão de líquidos, especialmente água, é essencial para a formação do líquido amniótico, o transporte de nutrientes para o feto e a manutenção do volume sanguíneo adequado para a mulher. A desidratação pode levar a complicações, como constipação, infecções urinárias e até trabalho de parto prematuro. O ideal é consumir, pelo menos, dois litros de água por dia. A água é fundamental para o bom funcionamento do organismo da gestante e para o desenvolvimento do bebê.
É importante lembrar que as necessidades nutricionais podem variar de acordo com o período da gestação e as condições de saúde da mãe. Por exemplo, durante o primeiro trimestre, as gestantes podem sofrer de náuseas e enjoos, o que dificulta a alimentação, mas ainda assim é importante manter uma dieta balanceada, mesmo que os alimentos consumidos sejam mais restritos. Thais Oliveira, gestante de gêmeos, compartilha sua experiência com a alimentação e as mudanças no apetite. “No começo, lá no primeiro trimestre, foi bem ruim. Não conseguia comer nada direito, nem as coisas que eu mais gostava, devido aos enjoos. Com isso, emagreci cerca de 8kg”, explica.

No segundo e terceiro trimestres, o aumento do apetite e a maior demanda de energia exigem ajustes na alimentação, com foco em proteínas para o crescimento fetal e carboidratos complexos para fornecer energia de forma estável. Heloisa Panquestor, que teve pré-diabetes gestacional, conta que sentiu fome em dobro durante a sua gravidez. “O pior desafio com certeza foi esse, fome toda hora”.
Gestantes com condições específicas, como diabetes gestacional, hipertensão ou intolerâncias alimentares, devem seguir orientações ainda mais rigorosas quanto à alimentação. O controle glicêmico, por exemplo, é fundamental para evitar o aumento de açúcar no sangue, que pode ser prejudicial para a mãe e para o bebê. “O consumo excessivo de ultraprocessados durante a gestação pode aumentar o risco de complicações como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia”, explica Larissa. Nesses casos, é recomendado o consumo de carboidratos de baixo índice glicêmico e a redução de alimentos ricos em açúcares simples, como doces e massas refinadas.
Desafios alimentares e adaptações no dia-a-dia da gestante
Heloisa, hoje com 59 anos, precisou adaptar sua alimentação após o diagnóstico de pré-diabetes na sua primeira gestação, aos 33 anos. “Durante a gestação, eu parei de comer doces e diminuí a quantidade de muitos alimentos, como pão, macarrão, biscoitos”, afirma. Além de mudanças na dieta, Heloisa também foi orientada a procurar um endocrinologista para acompanhamento. “Tive que fazer uma dieta bem regrada”. Heloisa conta que na sua época não era comum fazer acompanhamento nutricional.

Thais faz acompanhamento nutricional desde antes da gravidez e tem se surpreendido com seu autocontrole. “Tenho sentido bastante vontade de coisas gordurosas e muita massa, procuro dar uma segurada daquelas, até porque sei que não é o ideal para as bebês e nem para mim”. Ela conta que quando segue a dieta o seu corpo fica mais desperto, o que influencia na produtividade e no humor.
Cibele Café, médica obstetra, ressalta que a alimentação da mãe impacta diretamente no crescimento e desenvolvimento anatômico do feto, além de estar diretamente ligada ao surgimento de doenças maternas, como diabetes e hipertensão. Ela alerta que uma alimentação inadequada pode gerar complicações graves, como crescimento insuficiente ou excessivo do feto, hipoxia (condição em que o feto não recebe oxigênio suficiente) e até morte fetal. A gestante deve, portanto, estar atenta às orientações médicas e manter um acompanhamento contínuo durante toda a gestação.