Em dez anos, partidos políticos perderam 57% de jovens filiados
Polarização política beneficiou PT e PL, que conseguiram reverter a queda
Postado em 03/04/2025
A filiação de jovens entre 16 e 24 anos a partidos políticos no Brasil atingiu o menor índice em uma década, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o levantamento, o número de jovens filiados caiu de 415 mil, em 2014, para aproximadamente 180 mil em 2024.
A desconfiança em relação à política e a falta de representatividade são apontadas como fatores para essa retração. “Acredito que dois fatores principais ajudam a explicar essa queda. Primeiro, muitos partidos ainda mantêm estruturas internas pouco abertas à participação juvenil, o que gera um sentimento de exclusão e desencaixe. O jovem muitas vezes não se reconhece nesses espaços. Em segundo lugar, as novas gerações têm buscado formas de engajamento político que dialogam mais diretamente com suas identidades e causas”, avalia Rafael Gonçalves De Toni, cientista político e pesquisador da UnB.
A estudante Loanne Guimarães de Macedo, de 19 anos, representa parte dessa juventude desapegada dos partidos. “Mesmo sabendo que é super importante a gente escolher bem, expressar nossa opinião pela democracia do nosso país, não me interessa”, afirma. Layza Marques Magalhães, de 21 anos, também compartilha dessa visão. “A política vem se mostrando polarizada e ambos os lados deixam a desejar. Sendo assim, acredito que muitos jovens já não veem mais sentido em se posicionarem, justamente por desacreditarem que a política tem chances de mudar.”
O PT e o PL, no entanto, conseguiram reverter parte dessa desmobilização juvenil. O PT viu seu número de filiados dessa faixa etária dobrar desde 2020, enquanto o PL cresceu 81% nos últimos quatro anos. No campo da esquerda, o PSOL ultrapassou o PT e lidera em adesão de jovens, atraindo filiações com base em pautas identitárias e ativismo digital.
Brenda Bomfim, cientista política pela UnB, explica que a desconfiança nos partidos tem raízes históricas. “Essa falta de confiança nas instituições políticas não é um processo recente, vem ocorrendo desde o início do século XXI. Nossa democracia é jovem, mas as instituições rapidamente se tornaram absolutas por conta dos escândalos de corrupção”, afirma. Para ela, a chave para reverter essa tendência está na comunicação digital. “A principal estratégia hoje é o uso da comunicação digital bem feita, planejada e com público-alvo definido, além da transparência e ética, que são cruciais para reconquistar a confiança do brasileiro.”
As redes sociais têm um papel crescente na formação política dos jovens. “As redes sociais influenciam na minha visão sobre a política, possuem uma linguagem mais curta e objetiva das notícias”, destaca Henrique Maia de Oliveira Martins, de 18 anos. O uso estratégico desses canais pode ser um diferencial para partidos que buscam ampliar sua base entre as novas gerações.
