Músicas que embalaram gerações animam aulas de dança na Ceilândia

Alunos do Projeto Galera do Freestyle dançam coreografias ao som de músicas que marcaram época

Kaillane de Sousa

Postado em 27/03/2025

A quadra de esportes do CEU das Artes da Ceilândia recebe toda quinta-feira uma turma animada. O projeto social Galera do Freestyle reúne alunos de 13 a 50 anos para aulas que reproduzem passos de dança típicos das décadas de 1970 a 1990 ao som de músicas que fizeram sucesso na época.

O criador do projeto, Lauro Manoel, 45 anos, destaca o impacto da iniciativa na vida dos alunos. “Já recebi relatos positivos de alunos que foram diagnosticados com depressão, fibromialgia, ansiedade, síndrome do pânico, TEA e até eu mesmo, que tenho hiperatividade, percebi que a dança podia me ajudar e ajudar todo mundo ao meu redor.”

Infográfico com a quantidade de alunos de 18 a 50 anos.

Com passos coreografados, as danças são reflexos da mistura de músicas. Um dos DJs responsáveis pelas batidas, Eduardo Junior, 27 anos, passou a infância escutando músicas de flashback. “Isso facilita minha conexão. E ver pessoas mais novas ouvindo e dançando músicas antigas, do tempo dos nossos pais e avós, traz um sentimento de renascimento e nostalgia”.

O projeto vai além dos passinhos sincronizados, pois exerce um papel de agente de transformação. Elonária Borges Abreu, de 46 anos, fala com carinho sobre como as aulas são fundamentais em sua vida. “O projeto me proporcionou novas amizades, melhorou muito meu humor, diminuiu minhas crises de ansiedade e facilitou minha socialização e autoestima. Sem contar que fico muito feliz por fazer parte de um projeto que, além do exercício físico, aproxima as pessoas e promove interações leves e divertidas entre pessoas de todas as idades.”

Com apenas 20 anos, João Alves Gelenske se tornou um dos professores mais queridos da galera do freestyle. Ele conduz as aulas com ritmo e entusiasmo e aponta  a dança como uma porta de escape para a ansiedade e problemas com depressão e auto estima. “É muito gratificante aprender, ensinar e participar de um projeto que me permite fazer parte da vida dessas pessoas, ver elas se sentirem acolhidas e à vontade para dançar e se expressar de forma livre”. 

Aulas de Freestyle do professor João Alves Gelenske. Foto por Kaillane de Sousa

Mais velho, mas igualmente energético e alegre, Rafael Maurício, aos 46 anos, ensina e faz parte do projeto há dois anos e acredita que o crescimento atual do projeto é necessário. “É algo que faz muitas pessoas relembrarem os velhos tempos e, ao mesmo tempo, desperta curiosidade na galera mais nova e os traz também… E a dança em si é algo muito prazeroso, e essa em particular, foi uma que marcou gerações. É o legado que estamos deixando”, acrescenta Rafael.

Apesar de não imaginarem a magnitude que o projeto teria, hoje a galera do passinho é conhecida por pessoas de todo o Brasil e são considerados referência da dança freestyle em Brasília. “Estar aqui dançando é o meu dia mais feliz. Sempre digo que é importante dançar com leveza no corpo e sentir a melodia com a alma. Porque a dança, independentemente de qual seja, mas especialmente essa, impacta pessoas de todas as idades”, finaliza Lauro Manoel.