Botecos de Brasília: histórias e sabores que atravessam gerações
Bares mantêm pratos tradicionais que continuam conquistando clientes
Postado em 19/03/2025
Em meio ao crescimento acelerado da capital, alguns botecos resistem ao tempo e mantêm viva a tradição de petiscos. Com receitas passadas de geração em geração, esses estabelecimentos oferecem sabores autênticos e nostálgicos para quem busca uma experiência genuína de bar. Desde o famoso quibe até a rabada com batatas, os cardápios desses lugares contam décadas de histórias.
Os bares mais antigos de Brasília preservam pratos que conquistaram clientes fiéis. O torresmo crocante, por exemplo, é servido desde os primeiros anos da cidade. Já a carne de sol acebolada acompanhada de mandioca segue como uma das opções mais pedidas. Para acompanhar, a cerveja bem gelada completa o costume dos bares tradicionais.
Luisa Petes, especialista em jornalismo gastronômico, explica como os botecos de Brasília conseguem preservar suas tradições culinárias em meio às mudanças e tendências atuais.“ A essência do boteco é justamente a manutenção de tradições populares de culturas gastronômicas do país. O boteco popular é que se tornou a tendência, possivelmente, como um resgate de uma cozinha mais simples, repleta de sabor e que representa a valorização da cultura popular do país. As mudanças e tendências vão continuar indo e vindo, mas eu aposto que o boteco vai ficar.’’
Os botecos, de fato, permanecem firmes, atraindo tanto clientes antigos quanto curiosos em busca do verdadeiro espírito do local. Muitos estabelecimentos passaram por gerações dentro da mesma família, mantendo a essência no preparo dos pratos. O atendimento e a atmosfera descontraída tornam esses espaços verdadeiros refúgios para quem deseja uma pausa da rotina.
“Na cultura brasiliense, que é muito recente se comparada a outras capitais, os botecos tradicionais representaram a permanência dos candangos, dos trabalhadores que vieram de todo o país para construir a capital e depois foram, gentilmente, convidados a se ‘retirar’ da cidade. Dentro e fora do Plano Piloto, esses botecos certamente se tornaram representações das regiões de origem dos primeiros brasilienses, como Nordeste e Sudeste”, ressalta Luisa.
Amigão Bar

Fundado em 1980, o Amigão Bar, na 506 sul, se tornou referência na região, conquistando os moradores com sua comida e um clima descontraído. Seu cardápio inclui delícias como joelho de porco, torresmo, pernil acebolado, rabada e feijoada, sempre acompanhados de uma cerveja bem gelada.
Pedro Arake, sócio proprietário do bar, destaca o tempero da comida.“A chefe de cozinha está há 44 anos no restaurante; o padrão e qualidade dos pratos continua o mesmo por conta da dona Marta, que está aqui desde que abriu o boteco.“
Com o tempo, o bar se tornou um local de convivência para amigos e famílias, oferecendo uma experiência única com boa comida, bebidas e uma conversa agradável. Hoje, o Amigão Bar segue sendo um dos principais destinos de Brasília.
Beirute

Em 16 de abril de 1966, os imigrantes libaneses Youssef Sarkis Maaraouri e Youssef Sarkis Kaawai abriram o Beirute na esquina da 109 Sul, em um espaço anteriormente ocupado pelo Bar do Abraão. O local logo se transformou em um ponto de encontro acolhedor, com uma culinária de forte influência árabe. Em 25 de dezembro de 1970, Chico e Bartô, irmãos cearenses, assumiram a administração do Beirute.
Clássicos kibes e esfihas fazem parte da essência do local. Preparados com carne, trigo e especiarias, os kibes podem ser servidos fritos, crocantes por fora e suculentos por dentro, ou crus, acompanhados de azeite e pão sírio. As esfihas, recheadas com carne, queijo ou verduras, também conquistaram o paladar dos frequentadores e se tornaram uma tradição no local.
“A comida do Beirute tem alma. O kibe, a esfiha, o arroz com lentilhas, cada prato carrega nossa história e a paixão por servir bem. Aqui, não vendemos apenas refeições, oferecemos memórias e tradições que passam de geração em geração”, afirma Chiquinho, atual responsável pelo bar.
Amigão Bar Feijoada Amigão Bar – Créditos: Rafaela Bomfim Pedro Arake Sócio Proprietário do Amigão bar – Créditos: Rafaela Bomfim Amigão Bar – Créditos: Rafaela Bomfim Praça do Beirute – Créditos: Rafaela Bomfim Chico dono do Beirute – Créditos: Rafaela Bomfim Comida árabe Beirute – Créditos: Rafaela Bomfim