Brechós ganham público ao unir sustentabilidade e preços acessíveis

Economia circular conquista espaço no mercado brasileiro e venda de peças de segunda mão tem expectativa de aumento

Maria Eduarda Freitas Rocha

Postado em 19/03/2025

Cliente escolhe peças em brechó. Foto: Maria Rocha

Com a inflação e alta de preços em vários setores da economia, a moda também foi diretamente afetada. Em 2024, o IPCA (Índice de preços ao consumidor) do setor de vestuário sofreu um aumento de 2,78%, o que faz com que o consumidor tenha que desembolsar mais para comprar novas peças para o seu guarda-roupa. Para driblar a situação, muitos têm recorrido aos brechós como alternativa, investindo em roupas de segunda mão, com um preço melhor e de boa qualidade. Em Brasília, o setor tem crescido e se fortalecido, com lojas e festivais de brechó ao redor da cidade.

O brechó B ao Quadrado investe na personalidade e no estilo único, atraindo consumidores em suas duas unidades, na Asa Sul e em Sobradinho. A empresária Bethânia Quirino, idealizadora do espaço, conta como sente que o aumento inflacionário levou público ao estabelecimento. “As pessoas viram nos brechós a oportunidade de continuar se vestindo bem e tendo acesso a marcas que antes eram impossíveis.”

Acessórios diversos. Foto: Maria Rocha

As feiras de brechó também contribuem para divulgar novos empreendimentos e espalhar marcas do setor. O Circuito Sustentável, realizado no Conic, sempre conta com edições que lotam o espaço e trazem pequenos empreendedores à tona. Sandra Teles, secretária executiva que há um ano se aventura na venda de peças antigas, conta como as mudanças impactaram na procura. “A pandemia ajudou nesse processo. As pessoas procuraram outras formas de comprar e vender o que tinham, sem consumir desnecessariamente. E a procura tem sido bem grande.”

Circuito Sustentável leva várias peças ao público. Foto: Maria Rocha

Pesquisa do Boston Consulting Group (BCG), realizado em 2023, apontou que a projeção de mercados de roupas usadas pode crescer de 15 a 20%. Professora de design de moda do iesb, Rafaella Lacerda conta como esse formato de moda é fundamental para economia. “Esse modelo propõe a extensão do ciclo de vida dos produtos, reduzindo o desperdício e promovendo práticas como reutilização, reciclagem e upcycling. Essa tendência reflete uma mudança de mentalidade, especialmente entre as novas gerações, o que leva também a mudanças na visão econômica e de gastos”, explica a especialista.

O economista João Fossaluzza, vice-presidente da Atto EXP Empresarial, questionado acerca do crescimento desse setor da economia criativa, relata que essa tendência é duradoura e com uma perspectiva positiva, por unir sustentabilidade e economia. “O futuro dos brechós é muito promissor! Especialmente quando a gente lembra que a digitalização do setor e a maior aceitação social do consumo de segunda mão. Além disso, o fator ‘preciso gastar menos’ é um grande aliado também”, afirma. Com uma perspectiva de crescimento, o setor tende a se inovar e se integrar cada vez mais na vida dos brasilienses.