Microempreendedores impulsionam cultura asiática por meio da gastronomia
Impulsionado pela influência da cultura asiática, o setor gastronômico registrou um crescimento de 10% em relação a 2024. O aumento na demanda também tem fortalecido a geração de empregos na área.
Postado em 19/03/2025
No Distrito Federal, observa-se um crescimento significativo de microempreendedores que promovem a cultura asiática por meio de seus negócios. Essa tendência se reflete, especialmente, na gastronomia, com empreendimentos que valorizam e difundem elementos culturais asiáticos. De acordo com um estudo da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) de 2018, 15% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) no DF atuam, direta ou indiretamente, em setores relacionados à alimentação e cultura.
Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-DF) indicam que o setor faturou R$ 455 bilhões no último ano, um crescimento de quase 10% em relação a 2023. Além disso, 73% dos empresários preveem um aumento nas vendas no primeiro trimestre de 2025. A criação de postos de trabalho nas micro e pequenas empresas (MPE) cresceu 3,41% em 2024 na comparação com o ano anterior.
No acumulado do último ano, os pequenos negócios responderam por 1,2 milhão de empregos, contra 1,1 milhão no mesmo período de 2023. Segundo análise do Sebrae, baseada em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do total de quase 1,7 milhão de empregos gerados na economia em 2024, as MPE foram responsáveis por sete em cada dez vagas. “Isso revela uma extraordinária pulverização do processo econômico em todo o território brasileiro. Significa que o povo voltou a pertencer ao orçamento, nessa velha máxima que nos dá a segurança de que estamos caminhando para rapidamente tirar o Brasil novamente do Mapa da Fome”, afirmou Décio Lima, presidente do Sebrae, à Agência Sebrae.
Histórias de sucesso: Empreendimentos que se destacam na capital
Três empreendimentos que exemplificam essa expansão da cultura asiática na gastronomia do DF são o Sandô – Sanduíches Orientais, o YumYum Restaurante e o Kiyoko Lámen, cada um trazendo uma proposta única para o mercado local.

Fundado em 2023, o Sandô – Sanduíches Orientais aposta na fusão entre a culinária japonesa e os lanches rápidos ocidentais. Localizado em Águas Claras, o restaurante, que é especializado no katsu sandô, um sanduíche típico do Japão feito com carne empanada, pão de leite macio e molhos artesanais, começou inicialmente com a venda dos sanduíches e ampliou seu cardápio para os hamburgueres da casa. Bruno Rocha, um dos fundadores, conta que existe uma boa saída entre os hambúrgueres e os sanduíches criados por eles. Os pratos variam no valor de R$11,90 a R$38,70, e desde a inauguração da loja o número de funcionários cresceu de três para sete colaboradores.
Rocha tem uma trajetória marcada por grandes operações e altos volumes de demanda, tendo trabalhado em lugares renomados como a Câmara dos Deputados, Senado e o Senac, com uma carreira de mais de 13 anos de cozinha. No entanto, após uma década nesse mundo, ele decidiu seguir um novo caminho, mais alinhado com seu desejo de inovar e de trazer algo novo à mesa dos brasilienses.
“Eu trabalhei muitos anos com cozinha brasileira, em festivais e grandes eventos, mas sempre tive uma vontade imensa de trabalhar com a cozinha oriental”, diz Bruno. “Sempre estudei muito sobre a culinária asiática, fora da cozinha, e chegou um momento em que eu sabia que precisava mudar. Então, decidi abrir o Sandô, um negócio com menos investimento inicial, mas com muito potencial”, conta.

A marca fundada com seu amigo João Carlos Pedreira começou simples, com sanduíches tradicionais, mas logo evoluiu para algo mais ousado. “Fomos criando e ajustando o cardápio, até que percebemos que estávamos com algo totalmente voltado para os sabores orientais. Aí decidimos apostar de vez na culinária asiática, com uma pegada única.” E acrescenta: “hoje não temos apenas o nosso público alvo sendo a nova geração, aqui nos visitam também gente de mais idade que vem provar da nossa culinária por curiosidade”, relata.

Já o YumYum Restaurante é um reflexo da paixão de Susana Maia pela culinária, que começou muito cedo. Com 17 anos, ela já trabalhava em cozinhas e, após um caminho que passou pela gastronomia francesa e italiana, encontrou seu verdadeiro amor na cozinha asiática. “Eu me apaixonei pela comida coreana”, diz Susana, lembrando do momento em que decidiu mudar a direção do seu trabalho. Inaugurado em 2020, o restaurante trouxe para Brasília a autêntica comida de rua oriental. Situado no Setor Sudoeste, o estabelecimento rapidamente conquistou o público com pratos típicos, como o hot dog coreano, popularizado por séries, filmes e novelas (os famosos doramas, ou k-dramas) sul-coreanos.
A ideia de abrir um restaurante foi algo planejado com muito cuidado, combinando sua experiência com uma pesquisa aprofundada sobre o crescimento da gastronomia asiática no Brasil.

O ponto de virada aconteceu de forma inesperada: “Eu queria abrir um restaurante japonês, mas depois de um papo com um amigo, me dei conta de que a comida coreana era o que realmente me atraía”. E foi assim que surgiu o YumYum em 2020, no auge da pandemia, com um cardápio focado nos famosos K-dogs ou hot dogs coreanos, o que a fez criar o nome e lançar o produto rapidamente.
O sucesso foi imediato, e o restaurante foi ganhando cada vez mais popularidade, principalmente por seu compromisso com a autenticidade e inovação. Seu negócio obteve crescimento, de apenas dois funcionários para o quadro com quatro. No seu cardápio que começou com os K-dogs hoje apresenta diversos outros pratos da culinária típica coreana, resultado do aumento da clientela e estrutura do restaurante. Seu cardápio possui preços variados, com valores que vão de R$14 reais a R$62 reais.

Hoje, com planos de expansão, Susana reflete com gratidão sobre a jornada: “Eu fui pioneira, trouxe algo que ninguém tinha em Brasília. Queria criar algo diferente, algo que fosse realmente inovador.” E, sem dúvida, o YumYum se tornou um marco da gastronomia local, sempre com a mesma paixão que a fundadora coloca em cada prato.

Outra referência de sucesso é o Kiyoko Lámen, especializado no tradicional lámen japonês. Desde sua fundação em 2022 no delivery, o restaurante localizado também em Águas Claras, inaugurado em 2024, se tornou um dos principais destinos para os amantes da culinária japonesa no DF. Com caldos preparados artesanalmente e receitas tradicionais, o Kiyoko Lámen busca resgatar a essência dos ramen-ya japoneses.
Assim como tantas pessoas que enfrentam desafios para construir um futuro melhor, o casal fundador encontrou na gastronomia não apenas um sustento, mas uma forma de recomeço. O restaurante nasceu do sonho de Helton Tutida e de Beatriz Rodrigues, que além de fundadora, é também a chefe de cozinha do negócio. Juntos, enfrentaram dificuldades financeiras e o medo do desconhecido para dar vida ao empreendimento. “Começamos com uma cozinha improvisada, sem saber se daria certo, mas com muita vontade de oferecer algo especial”, contam. O sonho cresceu com esforço e dedicação, conquistando clientes fiéis que não apenas apreciam a comida, mas também a história por trás de cada prato.

A inspiração para o nome do restaurante veio de Kiyoko, avó de Helton, cuja paixão pela culinária japonesa marcou sua infância. “Ela sempre dizia que a comida tem o poder de unir as pessoas, e foi isso que quisemos trazer para o nosso restaurante”, relembra. Com esse propósito, o casal superou desafios estruturais e momentos de incerteza, mantendo-se firme no compromisso de honrar a tradição familiar. “Muitas vezes pensamos em desistir, mas sempre lembrávamos do motivo pelo qual começamos”, compartilham. Cada tigela de lámen servida carrega não apenas um sabor autêntico, mas também a resiliência de quem nunca desistiu. A empresa obteve grande crescimento no seu quadro de funcionários, o que era antes apenas um, foram para seis colaboradores.
Hoje, a Kiyoko Lámen se tornou um espaço de acolhimento, onde a comida é um elo entre culturas e gerações. “Não vendemos apenas lámen, vendemos uma história, uma memória afetiva”, afirmam. Beatriz, à frente da cozinha, garante que cada prato servido mantém o equilíbrio entre tradição e inovação, respeitando as raízes da culinária japonesa. O casal não apenas conquistou o próprio espaço no mercado gastronômico, mas também inspira outras pessoas a persistirem em seus sonhos. Para eles, cada cliente que entra no restaurante não está apenas fazendo uma refeição, mas compartilhando um pedaço de uma história de superação e amor.
No cardápio do restaurante apresenta pratos de entradas que vão de R$22 a 40 reais, os donburis que são R$49 reais e os lámens de R$50 e R$55 reais.

Nos últimos anos, o setor de gastronomia asiática no Distrito Federal tem registrado um crescimento expressivo, impulsionado pelo aumento do interesse do público em novas experiências culinárias e pela influência da cultura pop oriental, como animes, k-dramas, k-pop, filmes e a popularização da culinária nas redes sociais. Restaurantes como Sandô – Sanduíches Orientais, YumYum Restaurante e Kiyoko Lámen são exemplos desse movimento, mostrando como a adaptação de receitas tradicionais ao paladar local, sem perder a autenticidade, tem sido um fator essencial para o sucesso desses negócios. Esse cenário reflete não apenas uma diversificação do mercado gastronômico, mas também um fortalecimento do intercâmbio cultural entre Brasília e as tradições asiáticas.
O crescimento contínuo desse segmento indica que a tendência deve se consolidar ainda mais nos próximos anos, com novos restaurantes surgindo e expandindo as opções para os amantes da culinária oriental na região. O setor de alimentação fora do lar está em ascensão e deve registrar um crescimento de 6,9% em 2025, segundo projeções do Instituto Foodservice Brasil (IFB). Após uma expansão de 3,2% em 2024, o segmento se beneficia de avanços tecnológicos, mudanças nos hábitos de consumo e cenários macroeconômicos favoráveis. “Empresas que adaptarem suas estratégias às tendências emergentes terão maior capacidade de capturar valor e de se destacar no mercado”, destaca Ingrid Devisate, vice-presidente executiva do IFB, relata para a ANR Brasil.
Esses empreendimentos demonstram como a integração de elementos culturais asiáticos pode resultar em negócios bem-sucedidos no Distrito Federal, contribuindo para o crescimento econômico e enriquecendo a diversidade cultural da região.
Os pratos podem ser tanto servidos na casa ou comidos na rua. Foto: Carlos Vilaça O casal fundador Helton Tutida e Beatriz Rodrigues são exemplos de pioneirismo e inovação. Foto: Arquivo Pessoal O restaurante apresenta uma decoração inovadora e criativa na cidade. Foto: Carlos Vilaça A ambientação remete muito o conceito asiático na região. Foto: Carlos Vilaça No restaurante já é possível fazer o pedido pelo toten em loja. Foto: Carlos Vilaça