Novas paradas de ônibus no Riacho Fundo II melhoram conforto, mas falham na acessibilidade

Apesar do avanço na infraestrutura, falta de rampas adequadas e calçadas acessíveis ainda impedem a inclusão plena no transporte público da região

Vitória de Souza Lucena

Postado em 19/03/2025

Após anos de espera, os usuários do transporte público do Riacho Fundo II finalmente contam com novas paradas de ônibus na avenida principal da cidade. Antes, a única estrutura disponível era uma simples placa no meio da calçada, sem abrigo e assentos. Agora, de acordo com a representante da administração, 30 novos pontos cobertos foram instalados, trazendo mais conforto e segurança para quem depende dos coletivos. Apesar da melhoria, moradores destacam problemas, especialmente na acessibilidade, que ainda não atende completamente às necessidades de pessoas com deficiência, idosos e gestantes.

A instalação das novas paradas representa um avanço significativo para a mobilidade urbana da região. Antes, os passageiros precisavam esperar o transporte público sob sol e chuva, muitas vezes em locais sem concreto e próximos ao tráfego de veículos. Agora, os novos abrigos oferecem uma cobertura mínima e um espaço delimitado para o embarque e desembarque. A moradora Kaíssa Pereira Cabral, estudante de farmácia, que utiliza o transporte público frequentemente, relembra as dificuldades enfrentadas antes da mudança. “Não tinha onde se abrigar da chuva e do sol, a melhor escolha era ficar onde tinha sombra. Quando o ônibus estava perto, eu atravessava a pista novamente para a parada”, conta.

Imagem de parada de ônibus em avenida da região/ Créditos: Google Heart

Já a moradora Roberta Luiza de Lima Silva, jovem aprendiz, reconhece a melhoria, mas afirma que os abrigos ainda não são ideais. “Agora temos uma estrutura melhor, mas ainda é limitada. O espaço é pequeno, e falta acessibilidade para pessoas com deficiência. Idosos e gestantes também podem ter dificuldades para acessar as paradas”, avalia.

Apesar das mudanças, um dos principais problemas apontados pelos moradores é a falta de acessibilidade. Algumas paradas estão localizadas em áreas sem calçada adequada, enquanto outras não possuem rampas ou piso tátil para pessoas com deficiência visual.

O especialista Lucas de Freitas Feijão, arquiteto, analisou imagens das novas estruturas e levantou algumas questões. Segundo ele, embora haja faixas podotátil para deficientes visuais, algumas rampas podem não estar dentro dos padrões de acessibilidade da norma NBR 9050. “O desnível entre a calçada e a parada deveria ser vencido por uma rampa de cerca de três metros. No entanto, parece que algumas rampas são muito curtas, criando uma inclinação desafiadora para cadeirantes”, explica.

Novo ponto de ônibus com rampa muito curta/ Imagem: Vitória Lucena

Além disso, algumas paradas possuem rampas voltadas para a rua, obrigando pedestres a caminhar pelo barro ou até mesmo pelo asfalto para acessá-las. Esse problema foi destacado por Roberta Luiza de Lima Silva. “As pessoas com deficiência não conseguem utilizar as paradas de forma independente. Sem corrimão e com rampas inadequadas, elas precisam da ajuda de alguém para embarcar com segurança”.

Ponto de ônibus cercado por grama desgastada. / Imagem: Vitória Lucena

Em entrevista, a Administração Regional do Riacho Fundo II reconheceu que a infraestrutura das paradas de ônibus ainda enfrenta desafios e afirmou estar trabalhando para solucionar essas questões. “Identificamos que algumas paradas precisam de adequações para atender melhor às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Estamos em contato com a Secretaria de Transporte e Mobilidade (SEMOB-DF) para garantir que as novas estruturas sigam as normas de acessibilidade e para corrigir eventuais deficiências”, afirmou a representante da Administração Ana Maria da Silva, moradora da região desde 1997.

Sobre a expansão das melhorias, a Administração informou que há planos para a instalação de mais abrigos e reforço na iluminação pública das paradas. “Nosso objetivo é proporcionar mais conforto e segurança para os usuários do transporte público. Seguimos em diálogo com o Governo do Distrito Federal para garantir novos investimentos”, destacou Ana Maria.

Apesar dos avanços, os moradores acreditam que as novas paradas são apenas um passo inicial para melhorar a mobilidade urbana da região. Além de resolver os problemas de acessibilidade, eles destacam a necessidade de ajustes na frequência e pontualidade dos ônibus, além da criação de novas linhas para atender a crescente demanda da cidade.

Roberta Luiza de Lima Silva reforça que a cidade precisa de um planejamento mais amplo: “O Riacho Fundo II cresceu muito nos últimos anos. Não adianta só construir paradas, é preciso garantir que todos os moradores consigam utilizá-las de forma segura e acessível”.