Tempo perdido no transporte público pode afetar sua saúde e produtividade
Com jornadas longas e estressantes, passageiros enfrentam desafios que comprometem sua saúde, produtividade e bem-estar.
Postado em 19/03/2025
O transporte público no Distrito Federal é um dos grandes desafios enfrentados pelos trabalhadores e estudantes que dependem dele diariamente. Para muitos, o tempo gasto em viagens longas, a superlotação e a precariedade dos serviços têm impactos diretos na produtividade, na saúde mental e na qualidade de vida.
Segundo um estudo da plataforma Moovit, o tempo médio de deslocamento em Brasília é de 57 minutos por viagem, chegando a quase 2 horas diárias. Além disso, 41% dos passageiros fazem viagens que duram entre 1 e 2 horas em uma única direção, com tempo médio de espera em torno de 18 minutos para ônibus ou metrô.

Os relatos de usuários do transporte público no DF mostram que a demora nos deslocamentos impacta diretamente o bem-estar. Adriana Ribeiro, de 60 anos, passa 3 horas por dia no trajeto entre Santo Antônio do Descoberto (GO) e Brasília.
“Chego extremamente cansada, às vezes até passando mal, com dores no corpo por conta do desconforto dos assentos e do tempo em pé. Já tive que descer do ônibus e chamar um carro por aplicativo porque estava chovendo dentro do ônibus”, conta Adriana.
O problema se repete para Franciane Maria, vendedora de 43 anos, que mora no Sol Nascente e trabalha na Asa Norte. Além dos atrasos, reclama da espera e da lotação. “Muitas vezes acabo dormindo no ônibus por ter que acordar mais cedo e, mesmo assim, quase sempre me atraso,” relata.
A superlotação agrava a demora no transporte. Kamille Cardoso, estudante de 19 anos, diz que já precisou sentar no chão ou entre os bancos por falta de espaço. “Muitas vezes, não há nem apoio para segurar no ônibus lotado. Minha mãe já chegou em casa com hematomas por ser empurrada ao tentar entrar no transporte,” afirma.
Vilma Gomes, 54 anos, também sente os efeitos dos longos deslocamentos e das más condições do transporte. “Minha vida vira só trabalho, não tenho tempo. Chego tarde e cansada, durmo e acordo de madrugada para trabalhar,” desabafa. Além do cansaço, ela já sofreu empurrões e até machucados. “Me derrubaram e machuquei a costela, que ficou roxa por mais de um mês. Só não bati a cabeça porque uma colega me puxou,” conta.

Os impactos na saúde e na produtividade: cansaço, estresse e queda no desempenho
A demora no transporte afeta tanto o bem-estar físico quanto a produtividade de trabalhadores e estudantes. O professor de Engenharia de Transportes, David Grubba, explica que o tempo perdido prejudica o desempenho profissional. “Os longos deslocamentos geram cansaço, estresse e reduzem o tempo para estudo e trabalho.”
Ele também destaca que um dos impactos mais significativos é a redução da produtividade dos trabalhadores, que perdem horas no trânsito em vez de desempenhar suas funções ou buscar qualificação profissional. “Esse tempo perdido prejudica a economia, diminuindo o consumo no comércio local, pois as pessoas têm menos tempo para frequentar estabelecimentos próximos de suas casas ou locais de trabalho.”, declarou.
A psicóloga Renata Santana reforça que essa rotina desgastante também interfere no equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “A sensação de falta de controle sobre o tempo de deslocamento pode gerar frustração, ansiedade e até desmotivação. Muitas pessoas chegam em casa sem energia para atividades de lazer, descanso ou convívio familiar,” alerta.
Ela também destaca que a qualidade do transporte é um fator fundamental para reduzir os impactos negativos. “Se o sistema oferecesse conforto e segurança, esse tempo poderia ser usado para descanso, leitura ou estudo. Mas, sem qualidade, o que predomina é a tensão e o desconforto,” analisa a psicóloga.
