Aumento no valor dos alimentos impacta população

DIEESE constatou que em fevereiro de 2025 o salário mínimo necessário para garantir os custos de uma família de até quatro pessoas é de R$ 7.299,32.

Daniel Lima de Araujo

Postado em 19/03/2025

Com a alta dos preços e o orçamento apertado, famílias precisam equilibrar gastos com alimentação e contas básicas como luz, água e aluguel.

Muitos fatores contribuíram para o aumento no valor dos alimentos. Para ajustar suas economias e continuar saudável, é possível trazer substituições mais acessíveis e ainda assim, nutritivas. Uma das estratégias é aproveitar promoções, comprar em atacados e feiras populares.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os alimentos ficaram 7,7% mais caros no ano passado com alta do dólar e fatores climáticos. No Brasil, o problema é mais complexo, já que entram questões como o custo dos insumos agrícolas (fertilizantes e combustíveis) que impactam diretamente os preços, além de más decisões dos políticos e o câmbio.

Luciano Bravo, CVO da Inteligência Comercial, afirma que, quando o real está desvalorizado, os produtores preferem exportar, reduzindo a oferta interna e encarecendo os alimentos aqui dentro. “No Brasil há uma série de fatores, é difícil eleger um só.”

Em fevereiro de 2025, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) constatou que o salário mínimo necessário para garantir os custos de uma cesta básica de alimentos e outros itens essenciais, como moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência é de R$ 7.229,32.

Boa parte do orçamento dessas famílias vai para itens básicos, como alimentação e transporte. Quando os preços sobem, sobra menos dinheiro para outras necessidades, como saúde e educação.

O dia a dia

Maria Luiza Spindola, 20 anos, atuante na área comercial e moradora de Água Quente, região localizada no entorno do DF, afirma que não seria possível arcar com todos os custos de vida caso seu marido não estivesse trabalhando em dois empregos. Hoje eles usam toda a segunda renda apenas para alimentação. “Toda vez que você vai mercado, as compras são cada vez menores por que o valor das coisas vai só aumentando“

O Brasil enfrenta desafios significativos em segurança alimentar. De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE, em 2023, 27,6% dos domicílios (21,6 milhões) estavam em situação de insegurança alimentar, sendo 18,2% leve, 5,3% moderada e 4,1% grave, sendo maior nas áreas rurais (12,7%) do que nas urbanas (8,9%), e mais da metade dos domicílios com níveis moderado ou grave tinha renda per capita inferior a meio salário mínimo.

Além disso, o IBGE também apresentou que 32,8% das despesas das famílias com alimentação foram para refeições fora de casa, sendo essa parcela menor (20,6%) entre famílias de baixa renda.

Douglas Rasley, 27 anos, professor de dança e morador do Riacho Fundo, comenta: “Quando preciso me alimentar fora de casa, gasto no mínimo trinta reais e ainda assim corro o risco de comer algo que não seja saudável ou bom”. Ele também aponta que essas refeições são as que mais afetam o seu orçamento no final do mês.

Café tem aumento de 39,6% no valor e impacta no consumo diário dos brasileiros.

De acordo com os dados oferecidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve um aumento expressivo no valor de alimentos básicos como carne (8,25%), arroz (8,24%), café (39,6%), leite (18,83%), laranja (48,33%) e até mesmo o frango (10,34%).

Além disso, o CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) afirmou que em 2025 o valor do ovo registrou uma alta de até 67,1%.

Luciano Bravo diz que “na situação em que estamos, o pobre cada vez mais deixa de comer alimentos como carne e semelhantes” e afirma que substituir alimentos caros por alternativas mais acessíveis e nutritivas pode ser uma saída.

O que fazer no cenário atual?

O economista informa que o primeiro passo é anotar todos os gastos e ver para onde está indo o dinheiro. Definir um limite para cada categoria de despesa e cortar gastos desnecessários, além de ter uma reserva de emergência e evitar gastos desnecessários são fundamentais para evitar dívidas em momentos de aperto.

É necessário fazer um planejamento de compras, construir uma lista com itens semanais e evitar o desperdício.

Comprar em atacado vale a pena quando os produtos têm longa validade e são consumidos com frequência, como arroz, feijão e óleo. Mas é importante calcular se o preço por quilo ou litro realmente compensa, evitando comprar grandes quantidades de itens perecíveis, para não gerar desperdício.

Geralda Gomes usa a criatividade para adaptar o cardápio conforme os preços dos alimentos, garantindo uma alimentação variada e acessível.

Geralda Gomes, 67 anos e cozinheira aposentada, sugere que alimentos básicos sejam comprados na promoção e conservados em garrafas pets. Sempre que vai às compras faz uma pesquisa de quais são as verduras, legumes e frutas mais baratas, já que os valores vão mudando. Assim consegue manter uma alimentação saudável e diversificada.

“Sempre tem uma verdura ou legume mais barata que a outra, por exemplo: o repolho está mais barato? eu vou comprar o repolho. A abobrinha está mais barata? Irei escolher ela. Assim como sempre busco alternativas diferentes para fazê-las”, complementa a cozinheira.

Ela também ensina que o mesmo alimento pode ser feito de diversas formas. Uma abobrinha pode virar um picadinho, um omelete, recheada com outras coisas ou o que a criatividade permitir.

Luciano confirma que frutas, verduras e legumes costumam ser mais baratos e frescos nas feiras, especialmente no final do dia, quando os feirantes querem vender o que sobrou. Já produtos industrializados podem ter preços melhores nos supermercados, principalmente em dias de promoção.

A aposentada também diz que procura sempre substituir alimentos caros por outros que renderão mais, por exemplo: “Uma cartela de ovos está custando trinta reais, muito caro. Eu pego esse dinheiro e compro outras coisas que vão render mais, como frutas, legumes e verduras selecionadas.”

O segredo é comparar preços e não comprar só porque está na promoção. Algumas lojas aumentam os valores antes para depois oferecer “descontos” falsos. Além disso, planejar as compras e evitar ir ao mercado com fome ajuda a evitar compras impulsivas.