Reciclagem cresce no DF, mas apenas 7,45% dos resíduos são reaproveitados
Cooperativas de catadores são fundamentais para o processo de conscientização e reaproveitamento de materiais recicláveis.
Postado em 25/03/2025
A importância da coleta seletiva para a sustentabilidade tem se intensificado nos últimos anos, especialmente no Distrito Federal, onde os desafios e os avanços coexistem. De acordo com dados do Ministério das Cidades, menos de 2% dos resíduos recicláveis no Brasil são efetivamente recuperados. No Distrito Federal, embora a reciclagem tenha crescido, em 2023 apenas 7,45% dos resíduos foram encaminhados para a reciclagem, refletindo a necessidade urgente de aprimorar a gestão do lixo.
A coleta seletiva, além de ajudar a reduzir o volume de resíduos nos aterros sanitários, desempenha um papel crucial na prevenção da contaminação do solo e da poluição da água, e ainda colabora para a diminuição da extração de recursos naturais, como madeira e petróleo, usados na fabricação de novos produtos. Além disso, é fundamental o apoio a cooperativas de catadores, que promovem a separação correta do lixo e criam mais oportunidades de trabalho.
Uma das cooperativas que atua ativamente no DF, a Plasferro, tem sido um exemplo de como a união de esforços pode gerar mudanças significativas. Fundada em 2008, a cooperativa, que hoje conta com cerca de 65 catadores, trabalha com a separação e destinação de materiais recicláveis, enfrentando desafios relacionados ao desperdício e à contaminação do lixo.
A representante da cooperativa Plasferro, Mara Maria de Jesus Rosa, explica como o trabalho desempenhado pelos catadores é essencial para a comunidade e para a preservação do meio ambiente: “Nosso objetivo é fortalecer a reciclagem, reduzir a poluição e gerar emprego para os catadores. Eles dependem das cooperativas para trabalhar, e, com isso, conseguimos fazer uma diferença real na nossa região.”
Cooperativa de catadores Plasferro / Foto: Júlia Sirqueira Materiais prensados prontos para serem vendidos / Foto: Júlia Sirqueira Faixa informativa sobre a reciclagem / Foto: Júlia Sirqueira
A reciclagem também é fundamental para a preservação da biodiversidade e a proteção dos ecossistemas naturais. Para o biólogo Gustavo Henrique de Oliveira Ferreira, a reciclagem contribui diretamente para evitar a extração de recursos naturais, como madeira e minérios, essenciais para a fabricação de produtos como papel e plásticos. Ele destaca ainda que a reciclagem ajuda a proteger o solo e a água da contaminação causada pelo descarte inadequado de resíduos: “Reciclar significa usar melhor o que já temos, preservando florestas, habitats e combatendo as mudanças climáticas. Além disso, a redução do lixo nos aterros impede a liberação de gases poluentes, melhorando a qualidade do ar e ajudando na preservação do ecossistema.”
Desafios enfrentados pela cooperativa no processo de reciclagem
Mara Maria também aponta que um dos maiores obstáculos para a eficiência da coleta seletiva no DF é a falta de conscientização por parte da população e até dos próprios trabalhadores da coleta. “O lixo que vem das empresas contratadas pelo Serviço de Limpeza Urbano (SLU DF) ainda chega muito misturado, o que dificulta o trabalho da cooperativa. A falta de educação sobre o que é reciclável e o que não é compromete o processo de separação, gerando menos recicláveis e mais rejeitos. O esforço de conscientização é fundamental para que o processo funcione de forma mais eficaz”, afirma Mara.
De acordo com Gustavo, o descarte inadequado de resíduos também gera impactos negativos nos ciclos biogeoquímicos, essenciais para a vida no planeta. “Quando materiais como plásticos ou metais são descartados de maneira incorreta, eles contaminam o solo e a água, interferindo diretamente nos ciclos do carbono, nitrogênio e fósforo, além de prejudicar a qualidade da água, que fica mais poluída e menos acessível para o consumo humano e animal”, explica o biólogo. A reciclagem, portanto, não só reduz a extração de recursos, mas também protege os processos naturais que sustentam a vida na Terra.

Apesar dos desafios, as cooperativas e os catadores continuam a desempenhar um papel fundamental no processo de reciclagem e na conscientização da população sobre o descarte correto. Como conclui Mara: “nós da Plasferro acreditamos que, com o trabalho contínuo e a mobilização da população, podemos alcançar resultados mais significativos e contribuir para um futuro mais sustentável para o Distrito Federal e para o Brasil.” O trabalho de educação e engajamento da comunidade é crucial para o sucesso da coleta seletiva e para a proteção ambiental a longo prazo.
