Brasil lidera ranking mundial de países com mais casos de ansiedade
Psicólogo dá dicas de como lidar com a ansiedade e a pressão do dia a dia
Postado em 02/04/2025
A saúde mental é um direito básico e fundamental, e o tema tem ganhado força nos últimos anos, muito em decorrência do ritmo frenético de produtividade que a sociedade enfrenta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com mais casos de ansiedade no mundo. Cerca de 9,3% da população brasileira sofre com o transtorno, taxa que abrange mais de 18 milhões de pessoas no país.
Uma pesquisa da CAUSE, consultoria que auxilia marcas e organizações na gestão de causas sociais, junto ao Instituto de Pesquisa IDEIA e ao aplicativo PiniOn, revelou que a palavra “Ansiedade” foi eleita a “Palavra do Ano” de 2024, como um termo que representava o sentimento dos brasileiros. Por que esse transtorno tem estado tão em alta recentemente? Existe uma maneira de desacelerar o ritmo do cotidiano para manter uma qualidade de vida?
Sociedade e o estado de ansiedade
Segundo o psicólogo clínico Marcio Peixoto, um grande marco de mudança do ritmo da vida ocorreu em meados dos anos 1990, com o advento da internet e, consequentemente, sua popularização. A chegada da internet também veio acompanhada da sensação de que as pessoas têm cada vez menos tempo. “É preciso que a sociedade coletivamente reflita sobre isso, mas a reflexão coletiva nem sempre é fácil. Talvez seja preciso que a gente reduza um pouco para o nível individual”, sugere o psicólogo em relação ao estado de pressa da sociedade.
À respeito de um perfil de pessoa mais suscetível a sofrer com quadros de ansiedade, o especialista afirma que mesmo sendo um problema que atinge pessoas de diferentes classes sociais e idades, é uma situação que tem sido notada com frequência entre os jovens. A edição de 2023 do Covitel, pesquisa que busca acompanhar as mudanças nos hábitos dos brasileiros e seus impactos na saúde ao longo do tempo, determinou que 31,6% dos jovens de 18 a 24 anos que participaram do estudo foram diagnosticados com ansiedade. “É possível perceber em gerações mais novas – pessoas que nasceram principalmente depois da popularização da internet – um sofrimento mais intenso”, comentou o psicólogo.

Tecnologia e influência
A tecnologia é uma facilitadora de processos humanos e está em constante evolução. Das últimas décadas para cá, ela se faz presente na rotina das pessoas, dos momentos de trabalho aos de lazer, mas essa presença contínua traz questionamentos para refletir a relação entre tecnologia e saúde mental. “A tecnologia não é positiva, nem negativa. Ela é programada para nos manter conectados”, diz Márcio.
As consequências vêm por meio da hiperconectividade, mas existem formas de fazer uso de dispositivos de maneira eficiente e mais saudável. Analisar os relatórios que indicam o tempo gasto em cada aplicativo e tentar ficar alguns minutos por dia desconectado são sugestões fornecidas pelo psicólogo para manter uma relação mais leve com os aparatos tecnológicos.

O estudante de Ciência da Computação do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), Humberto Bravo, pontua que a imersão tecnológica pode influenciar nesse sentimento. “Ficar horas sentado na frente de um computador, tanto realizando tarefas diárias ou em momentos de lazer, pode sim gerar ansiedade”. Ainda assim, o jovem considera que muitas vezes não basta apenas sair da frente das telas para solucionar os problemas, convergindo com a visão do psicólogo sobre o uso pessoal que cada um dá à tecnologia.
Lidando com a ansiedade
Para Humberto, a prática de atividades físicas e outros passatempos, como a leitura, por exemplo, são boas formas de manter a mente ocupada e lidar com essa questão, além de ressaltar a importância do tratamento transparente com um especialista. “O que me ajuda a aliviar o estresse é buscar extravasar o sentimento por meio de conversas com alguém confiável”, relata o estudante.
A sensação de exaustão proveniente do excesso de demandas é um dos fatores que causam a ansiedade. Esse sentimento surge junto à dúvida da possibilidade de manter o bem-estar e a produtividade. “Talvez a produtividade precise ser comprometida. O problema está exatamente em uma sociedade que exige produtividade o tempo todo”, afirma Marcio. O especialista considera como um bom trabalho de cuidados de saúde mental aquele que integra psicoterapia, psicanálise e controle ambiental, cuidados que ajudam as pessoas a refletir e se enxergarem no espaço que ocupam no mundo.