Tocofobia: entenda o medo extremo da gravidez
Transtorno pode gerar altos níveis de estresse, preocupação excessiva e até crises de pânico
Postado em 25/03/2025
A gravidez, que para muitas mulheres é um sonho, para outras é sinônimo de medo. Essa sensação de pavor recebe o nome de tocofobia e leva preocupação extrema mesmo a quem utiliza métodos contraceptivos, gerando tensão até na relação sexual. Ainda não reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças (CID), a tocofobia tem ganhado destaque nas redes sociais, unindo mulheres que apresentam o quadro em busca de apoio e tratamento.

As angústias que provocam tocofobia variam: medo do processo de gestação, do ambiente hospitalar, das mudanças corporais, sociais e medo do julgamento. Todos esses dilemas levam a pessoa afetada a um pânico extremo, podendo provocar riscos tanto à saúde mental quanto física.
A estudante de jornalismo Luisa Guedes sente medo desde os 15 anos. Evitava manter relações com uma pessoa que estava conhecendo pelo pânico da gravidez e, quando tinha, vivia com paranoias, mesmo realizando sexo protegido. “O medo é sabotador. Ele aparece do nada, estou vivendo minha vida tranquila e penso ‘será que estou grávida?’ e passo algum tempo mal. Acho que os piores momentos são perto da menstruação descer, eu fico tão desesperada que muitas vezes não consigo nem dormir direito”, afirma a jovem.
Já Lianne Ceará, jornalista e escritora, não gosta do ambiente hospitalar e de agulhas, além do próprio sentimento de não querer ser mãe. Entretanto, a terapia tem deixado sua vida mais leve e sem um medo excessivo. “Em algumas sessões abordo a maternidade, eu fico muito feliz pela possibilidade de tratar isso na terapia. Eu tenho evoluído e hoje apenas reflito mais sobre a maternidade, sem muita paranóia quanto ao método e relacionamentos.”

A psicóloga Patrícia de Oliveira destaca como se dão os sintomas. “Embora a tocofobia não seja oficialmente reconhecida no DSM-5 ou na CID-11, ela compartilha características com transtornos de ansiedade, especialmente o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). O medo intenso e persistente da gravidez pode gerar altos níveis de estresse, preocupação excessiva e até crises de pânico, impactando significativamente a qualidade de vida da mulher.”
Um diagnóstico é fundamental para esse processo. Junto ao ginecologista de confiança, a paciente irá buscar o método que melhor se adequa a sua realidade. A médica ginecologista Marina Almeida relata a importância de buscar a informação médica e evitar sensacionalismos, para assim ter confiança na proteção oferecida pelo método contraceptivo. “O uso correto de todos os métodos minimiza as chances de falha do método e conhecer o método utilizado é torná-lo extremamente eficaz”, reforça.
Conheça a eficácia dos métodos contraceptivos
Atualmente, o mercado farmacêutico oferece diversas opções de prevenção a gravidez, as quais com o acompanhamento médico correto evita o risco de uma gravidez não desejada. Em dados levantados por uma cartilha de saúde do GDF, nota-se que o uso correto dos métodos leva a uma chance mínima da gestação.
A ginecologista Marina Almeida relata como, além de decidir o método com o ginecologista, realizar a combinação de métodos auxilia na confiança para aquelas que sofrem com a tocofobia. “A combinação de métodos é uma alternativa viável, porém existem as combinações corretas. Sobrepor hormônios, por exemplo, não é uma boa opção. Um método hormonal (pílula, diu) e um de barreira (camisinha) é uma boa combinação, por exemplo”, reforça.

Nos consultórios, o método mais seguro de acordo com o índice de Pearl, que apresenta a taxa de falha em casos por mil pacientes, é o implanon. Também conhecido como chip anticoncepcional, apresenta uma eficácia de 99,95%.
O DIU de cobre possui uma eficácia de 99,4%. Já quanto ao DIU de mirena, também chamado de DIU hormonal, apresenta uma eficácia maior que o anterior, de 99,8%.
O método mais utilizado, as pílulas anticoncepcionais, apresentam uma eficácia de 99,7% quando tomadas corretamente. Esse valor também condiz com a eficácia das injeções anticoncepcionais, do anel vaginal e do adesivo contraceptivo.
O preservativo, popularmente conhecido como camisinha, possui uma eficácia de 98%, além de ser o único método também eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).
Tabelinha, coito interrompido e métodos semelhantes devem ser evitados, pois sua chance de falha é alta e, além disso, não previne outras doenças. Afinal, o cuidado e conhecimento é a melhor proteção para aquelas que sofrem com a tocofobia.