Cashback oferece economia enquanto e-commerce anda aquecido

Saiba o que é, como funciona e se vale mais a pena do que descontos tradicionais

Artur Felipe Lesnau

Postado em 13/04/2022

Uma das estratégias mais usadas no incentivo a vendas nos últimos anos é a promoção por cashback. Apenas em 2021, os cupons desses descontos fizeram o brasileiro economizar R$ 80 milhões e geraram R$ 10 bilhões em vendas, segundo site Cuponomia, especializado no assunto. Isso enquanto as vendas por e-commerce cresceram em 27% em 2021 e devem crescer mais 9% em 2022, segundo levantamento da Neotrust, empresa que monitora o setor.

Nesse sentido, ao menos 13 empresas conhecidas já oferecem o benefício do cashback. Dentre elas estão fintechs ou carteiras digitais, sites especializados nessa função, bancos e corretoras de investimentos e varejistas consolidados.

Cashback é um termo em inglês que significa “dinheiro de volta” e chegou ao Brasil entre 2005 e 2007, conforme explica o professor do IESB e especialista em comportamento de consumo, marketing e vendas, Lucas Esmeraldo. Nessa modalidade de promoção, a loja oferece um desconto no produto. 

Ocorre que, em vez de o desconto ser aplicado em forma de um preço mais baixo na compra, o valor é convertido em dinheiro que retorna para o consumidor, seja em forma de crédito para novas compras, seja na forma de dinheiro em espécie.

Determinados sites liberam o cashback em crédito, enquanto outros oferecem dinheiro para transferência em conta bancária. Foto: Artur Lesnau

O professor Esmeraldo explica que o processo funciona da seguinte forma: o fornecedor do produto e o revendedor estipulam um valor de desconto que é repassado aos sites de divulgação como comissão e, depois, parte desse desconto é oferecido ao consumidor.

Segundo ele, essa forma de incentivo à compra é interessante para o vendedor por alguns motivos. Um deles é a fidelização do cliente. O professor dá o exemplo das Lojas Americanas, que oferecem cashback pela carteira digital Ame. Esse dinheiro só pode ser gasto em lojas do grupo Americanas ou em postos de combustível Petrobras. Assim, força o consumidor a gastar esse crédito obrigatoriamente nessas lojas parceiras. 

Outro tipo cashback, adotado pelo site Méliuz, por exemplo, detecta a compra e repassa o valor a que o consumidor tem direito no site deles. Após determinado prazo de confirmação da compra, o valor é liberado para ser transferido para a conta bancária do consumidor.

Mais um atrativo para o varejista é a quantidade de dados que são coletados ao vender por meio desses programas de cashback. Em posse de dados estratégicos do consumidor, a loja online pode direcionar ofertas estratégicas para o indivíduo, com base nos hábitos de compra. 

Ampliação da presença da loja no mercado e o giro de estoque são outros fatores benéficos para o lojista. Neste último caso, o professor explica que alguns produtos, por vezes, ficam represados e, a fim de escoar e renovar o estoque, o vendedor, em vez de abaixar o preço e desvalorizar o produto, promove com cashback e, enquanto vende o represado, atrai a fidelização do cliente.

Para o professor Esmeraldo, entre cashback ou desconto tradicional, o que pesa é o estilo do consumidor. Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Desconto ou cashback, qual é o melhor?

O professor Esmeraldo avalia que, na hora de definir qual forma é mais vantajosa, deve ser levado em conta o perfil do comprador. Para o indivíduo que usa muito o cartão de crédito e paga, em relação à renda mensal, valores altos; para quem gosta e faz parte de programas de fidelidade, de pontos de cartão de crédito, programas de milhagens e gosta de consumir tudo, para essa pessoa, diz o professor, o programa de cashback será uma grande vantagem.

Outro caso é do consumidor mais cauteloso, que busca promoções, pesquisa preços e só compra com a certeza de ter achado o melhor preço. Para essa pessoa, o desconto tradicional tende a ser a melhor escolha.

Lucas é desse último tipo de consumidor. Conta que, sempre que possível, procura usar sites que ofereçam cashback, mas nunca deixou de comprar um produto de uma determinada loja apenas por causa do cashback que teria em outro varejista. Ele diz ainda que prefere os descontos normais. 

“De cashback, o que que mais uso é o Méliuz, que demora até 60 dias para entrar na conta. A Ame Digital, você só pode usar na loja, não dá para sacar o dinheiro. Agora, o cupom de desconto eu vejo a diferença ali,  na hora, por isso eu prefiro”, avalia ele com ressalvas para o shopping virtual do banco Inter, que oferece cashback e o dinheiro está disponível para uso no mesmo instante.

Foto de capa: Cottonbro/Pexels