Tremores em edifícios são comuns, mas raramente tem a ver com terremotos. Entenda

Segundo o professor de engenharia civil Jairo Hernando, vibrações externas, como vento e trânsito de veículos pesados, podem gerar tremores

Artur Felipe Lesnau

Postado em 11/05/2022

Mesmo sem ocorrer terremotos diretamente no Brasil, é comum sentir tremores muito sutis quando se está em andares mais altos em edifícios. O professor Jairo Hernando, do curso de engenharia civil do IESB, afirma que essas vibrações nas edificações são comuns, desde que respeitem os limites de segurança.

Ele explica que o tremor é gerado por uma onda de vibração externa. Em pontes e viadutos, a principal fonte de vibração é a movimentação de veículos sobre elas. Para edifícios, um fator que pode influir é a presença do vento. 

Segundo o professor, não há risco para as pessoas nessas vibrações, desde que os tremores não atinjam a frequência natural do edifício. O único problema que poderia ter, segundo ele, seria o conforto, já que há um certo incômodo em estar em um prédio alto que treme. Mas alerta que, pelo contrário, se a vibração atingir a frequência natural da construção, pode haver risco.

Em 2018, uma obra de reconstrução do viaduto da Galeria dos Estados, em Brasília, gerou um tremor no edifício onde funciona o Carf. Alguns andares foram evacuados, mas, segundo a Defesa Civil, não houve risco à estrutura. Obras, em especial as que utilizam máquinas pesadas, podem ter impacto forte nas vibrações de edificações próximas, dependendo do trabalho executado.

Viaduto da Galeria dos Estados desabou em 2018. Obras de reparação com maquinário pesado podem ter causado tremor sentido no prédio do Carf, em Brasília. Foto: Agência Brasília

O professor Hernando demonstra ainda que sente-se essas vibrações de forma mais acentuada em andares mais altos. “É como um pêndulo. Quanto mais comprida é a corda, mais a ponta balança”, exemplifica. Explica que, no caso dos edifícios, é a mesma coisa, mas de cabeça para baixo: quanto mais distante da base, mais a ponta está suscetível a balançar, ainda mais com a atividade do vento constante.

Tremores sísmicos no Brasil são incomuns devido à posição geográfica do país. Estamos situados no centro de uma placa tectônica. Os tremores de terra ocasionados por atividade sísmica, ou seja, pela movimentação dessas placas, ocorrem nas extremidades delas, onde uma placa encontra outra. 

O movimento de uma placa passando por cima uma da outra, ou se chocando, ou mesmo roçando em sentidos diferentes, causa esses abalos que são muito comuns em países como Japão e da região da Cordilheira dos Andes, em países como o Chile e a Bolívia, por exemplo. A formação de montanhas e cordilheiras é fruto dessa atividade natural. A dos Andes e a do Himalaia são provas.

Em abril de 2018, um terremoto na Bolívia fez tremer cidades de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Brasília. Na ocasião, o terremoto de 6,8 de magnitude gerou o reflexo no país, mas o tremor em si não ocorreu aqui.