Crise pandêmica desafia empreendedorismo feminino

Mesmo com a crise, a predominância feminina no mercado empreendedor cresceu 40%. Pesquisa mostra que mulheres têm mais interesse em empreender

Vitória Alice Silva

Postado em 03/10/2021

A pandemia do coronavírus instaurou uma crise em todo o mercado empreendedor. Pequenas e grandes empresas precisaram se reinventar e se adaptar à nova realidade, sobretudo os que abriram negócios pouco antes ou durante a crise sanitária. Embora a desigualdade de gênero ainda seja uma realidade no universo empreendedor, conforme dados do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), a predominância feminina cresceu 40% só em 2020, ano de início da pandemia. Além disso, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor, atualmente, o Brasil soma aproximadamente mais de 30 milhões de mulheres empreendedoras, o que corresponde a quase metade do mercado (48,7%). 

Ainda de acordo com a apuração feita entre setembro e outubro de 2020 pelo IRME, grande parte dos negócios teve o funcionamento impactado pela crise. Desses, 47% das empresas lideradas por mulheres continuaram funcionando, mas com limitações; e 20% tiveram paralisação completa das atividades. Entre as medidas tomadas pelos empreendedores para lidar com os impactos da pandemia, mulheres e homens tomaram medidas semelhantes: digitalização, trabalho remoto, redução de despesa e mudanças estratégicas. 

Superando a crise

Inaugurado em 7 de março de 2020, pouco antes de ser decretada a pandemia no Brasil, o salão de beleza Garden Studio precisou fechar as portas duas semanas após a primeira abertura. A proprietária, Katia Rodrigues, 52 anos, conta que a grande dificuldade instaurada pela pandemia foi, mesmo após os decretos que permitiam a abertura do espaço, manter o salão funcionando, consolidar o público e conseguir algum lucro no fim do mês. 

Nos momentos de lockdown, a empresária conta que a maior dificuldade foi atender um número restrito de clientes e que, até hoje, o grande desafio do negócio é conquistar um público consistente. “Muita luta para manter o Garden aberto, o espaço é maravilhoso porém é bem difícil chamar atenção do público”, relata. Hoje, o Garden Studio consegue sanar os gastos, mesmo com o lucro mínimo, mas a proprietária almeja mais. “Espero vencer essa crise comum a todos e aumentar o fluxo de clientes que ainda oscila muito”. 

De acordo com o IRME, 46% dos negócios liderados por mulheres no Brasil se concentram no setor de serviços, ou seja, saúde, beleza, marketing, entre outros. No entanto, Kátia afirma que, mesmo na categoria de beleza, ainda é difícil empreender sendo mulher pois, segundo ela, os homens sempre fazem mais sucesso e ganham mais a confiança das clientes. 

Resiliência

O grande aprendizado que a pandemia deixa para 59% das mulheres empreendedoras, segundo pesquisa do IRME, é a resiliência. Mesmo com todas as dificuldades impostas, elas resistem e encontram formas de ultrapassá-las. Ainda de acordo com a pesquisa, comparadas aos homens, as mulheres são as que buscam mais apoio e conhecimento para seus negócios: 65% das mulheres buscaram cursos e capacitações focadas em empreendedorismo, contra 53% dos homens. Além disso, o interesse em empreender ou continuar empreendendo é maior no lado feminino: 88% contra 70% dos homens.