Sabores de feira

Das feiras tradicionais aos circuitos itinerantes, a capital reúne sabores e histórias que ajudam a construir a identidade brasiliense.

Eduarda Carvalho

Postado em 07/06/2026

Por Clara Mesquita, Davi Silveira, Eduarda Carvalho, Emanuely Araújo e Júlia Sirqueira

Brasília, cidade construída por migrantes vindos de diferentes regiões do país, encontrou nas feiras um espaço para manter vivas as culinárias trazidas de origem. Entre diversos pratos predominantes, os principais são mocotó, acarajé, buchada, carne de sol, e não podemos esquecer do tão procurado pastel com caldo de cana. O Distrito Federal transformou a feira em ponto de encontro onde, receitas e tradições passaram a dividir a mesma mesa.

As feiras surgiram ainda nos primeiros anos da construção da capital, na década de 1960, acompanhando o crescimento das chamadas cidades operárias que mais tarde dariam origem às regiões administrativas do DF. Com a chegada de milhares de trabalhadores — principalmente nordestinos, goianos e mineiros — os espaços de comércio popular começaram a funcionar como locais de abastecimento e também de convivência. Ali, além da venda de frutas, verduras e produtos básicos, a comida preparada na hora passou a ocupar um papel central.

O costume atravessou décadas e cresceu junto com Brasília. Hoje, a capital conta com mais de 115 feiras permanentes, livres e populares espalhadas pelas regiões administrativas. Algumas mantêm estruturas tradicionais, funcionando há mais de 40 anos. Outras surgiram recentemente acompanhando o crescimento das feiras gastronômicas noturnas e dos circuitos itinerantes realizados em áreas abertas da cidade.

As feiras ajudaram a construir a identidade cultural brasiliense. Na Ceilândia, a culinária nordestina domina grande parte das bancas e restaurantes populares.  No Guará, a tradição aparece nos corredores ocupados por pastelarias, restaurantes populares e bancas que atravessaram gerações de frequentadores. Já nas feiras itinerantes e noturnas, realizadas em diversas regiões administrativas, o cardápio acompanha uma nova dinâmica gastronômica da capital. 

Com funcionamento apenas aos finais de semana, a feira da Torre de TV, localizada no centro no Plano Piloto, possui diversos pratos típicos, desde o churrasco do sul ao tacacá do norte. Cleuza Pinheiro, filha de Mainha, reproduz as receitas da mãe, uma das primeiras a vender acarajé na cidade. 

Para o professor de gastronomia Marcos Lelis, há uma maior procura pelas feiras, esse crescimento está ligado ao papel cultural que a comida ocupa dentro da sociedade brasileira. “A gastronomia, depois da língua falada, é a grande representação de um povo. O Brasil construiu uma cozinha extremamente rica porque recebeu influências de muitos povos, ingredientes e culturas diferentes”, afirma.

O professor também aponta como as feiras funcionam quase como um contraponto à rotina acelerada das cidades e ao excesso de tempo passado diante das telas. “As feiras são compostas de sons, cores, gírias e liberdade humana. Existe uma troca muito viva acontecendo nesses espaços”, diz.

Responsáveis pela diversidade cultural, as feiras ainda possuem dificuldades. Marcos aponta que, ainda é necessário políticas públicas que resguardem a cultura alimentar brasileira. “Se tivermos esse pertencimento, será natural o aprimoramento. A comida de feira é democrática. Ela preserva memória afetiva, sotaques, modos de preparo e uma relação mais humana com a alimentação. ”

Ao longo dos anos, as feiras também deixaram de ser apenas pontos de abastecimento popular para se consolidarem como polos econômicos importantes do Distrito Federal. Pequenos empreendedores passaram a transformar receitas familiares em principal fonte de renda, enquanto novos negócios gastronômicos encontraram nesses espaços uma alternativa mais acessível para começar. 

Cultura econômica 

Atualmente, o Distrito Federal não possui dados consolidados sobre o impacto econômico das feiras. Ainda assim, apostando na profissionalização do setor, a Secretaria de Estado de Governo do Distrito Federal (Segov) investiu cerca de R$ 56,3 milhões entre 2021 e 2025 em obras de infraestrutura, reformas e construção de novos espaços.

Em parceria com outras pastas do Executivo, a secretaria também criou, em 2019, o programa Feira Legal. A iniciativa busca modernizar as feiras por meio da regularização dos trabalhadores, melhorias estruturais e ações voltadas à segurança jurídica dos feirantes.

Para o economista, autor e professor da Universidade de Harvard Gregory Mankiw, as feiras devem ser compreendidas como mercados, onde consumidores e vendedores se encontram para realizar transações. Nesse cenário, a proximidade entre fornecedores e clientes contribui para movimentar a economia das próprias regiões administrativas.

Além da atividade dos feirantes, o fluxo de visitantes beneficia negócios instalados no entorno, como bares, restaurantes e pequenos comércios. “As feiras livres têm o poder de juntar e aproximar consumidores e vendedores”, afirma.

As feiras também contam com iniciativas voltadas à qualificação dos empreendedores. O  Serviço Brasiliero de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-DF) oferece capacitações, consultorias e acompanhamento empresarial para pequenos negócios que atuam nesses espaços, além de apoiar festivais gastronômicos e ações de fortalecimento do setor.

Na avaliação da instituição, as feiras vão além da comercialização de produtos. “Além de gerarem renda e oportunidades de trabalho para milhares de famílias, funcionam como importantes espaços de empreendedorismo, fortalecendo a economia local e incentivando a formalização e o crescimento dos pequenos negócios”, destaca o Sebrae.

Em funcionamento desde da década de 1960, a Feira da Torre de TV conta com 30 boxes fixos na praça de alimentação. Foto: Júlia Sirqueira

Feira Central de Ceilândia 

“A feira representa tudo para mim”, resume Edinara Bezerra, conhecida como galega na Feira Central de Ceilândia. Dona da Banca da Galega, ela conta que a história da feira se confunde com a história da própria família. Ela chegou a Brasília ainda criança, vinda do Rio Grande do Norte, junto com os pais e os irmãos. “Meus pais vieram em busca de melhoria”, relembra.

Hoje, após mais de três décadas trabalhando na feira, ela vê no espaço a principal responsável pela estabilidade financeira conquistada pela família.

Quando começou, a estrutura era completamente diferente. As bancas ainda não eram fechadas e os feirantes precisavam carregar panelas e utensílios todos os dias para casa. Mesmo com as mudanças ao longo do tempo, Edinara afirma que a essência da feira permanece a mesma: a proximidade com os clientes e a valorização da comida regional.

Na banca, o mocotó é o prato mais procurado. Segundo ela, a comida nordestina continua atraindo tanto moradores da cidade quanto visitantes de outras regiões e até turistas estrangeiros. “Tenho freguês que veio na barriga da mãe e hoje continua vindo aqui”, conta.

A relação construída ao longo dos anos faz com que muitos clientes se tornem parte da trajetória dos próprios feirantes. Para Edinara, esse vínculo ajuda a explicar por que nunca pensou em abandonar o trabalho, nem mesmo durante a pandemia, período considerado um dos mais difíceis para quem dependia das feiras para sustento familiar

Circuito Luar, Parque da Cidade 

Feiras itinerantes de rua também passaram a atrair uma nova geração de empreendedores. Realizados em diferentes regiões da cidade, os circuitos gastronômicos ao ar livre cresceram nos últimos anos e transformaram praças, estacionamentos e áreas públicas em espaços de convivência. Como uma espécie de lazer noturno, clientes buscam as feiras como um momento de lazer e descanso, conhecendo um novo espaço e se livrando da “obrigação” do jantar. 

Impulsionadas pelo Eixão do lazer, que ocorre aos domingos, conta com diversas barracas culinárias, essas feiras foram ganhando um público fiel. Atualmente, o Circuito Luar passa por Águas Claras, Ceilândia, Estrutural, Parque da Cidade, Recanto das Emas e Samambaia, que já contabilizou mais de 20 mil frequentadores. A cada dia da semana, o Circuito Luar está em uma Região Administrativa diferente. 

Foi nesse cenário que Letícia Queiroz encontrou uma oportunidade para complementar a renda enquanto cursava a faculdade. O que começou como produção caseira acabou se transformando em um negócio familiar.

Primeiro veio a venda por aplicativos de entrega. Depois, uma pequena feira de bairro. Com o crescimento do público, a família decidiu abandonar a loja física e investir exclusivamente nas feiras gastronômicas. “A gente preferiu a vida de feira”, conta.

Hoje, a banca reúne diferentes integrantes da família na produção das batatas recheadas e do yakisoba. A divisão das tarefas e o contato constante com os clientes se tornaram parte da rotina.

Segundo Letícia, a fidelização do público é um dos principais fatores que sustentam o crescimento das feiras itinerantes. “Tem cliente que vai atrás da gente em outras regiões só para comer aqui”, afirma.

A mesma relação de pertencimento aparece na trajetória de Liu, responsável pelo Acarajé da Liu. Baiana, ela aprendeu a preparar o prato ainda com a mãe e transformou o acarajé em profissão há mais de vinte anos.

Mais do que vender comida, Liu enxerga o trabalho como uma forma de preservar uma tradição histórica ligada às mulheres baianas empreendedoras. “É uma cultura que a gente luta para não deixar morrer”, diz.

Ao chegar em Brasília, encontrou um público já conectado à culinária nordestina e disposto a consumir pratos típicos fora dos grandes restaurantes. “Tem gente que vai para Salvador e depois volta dizendo que queria mesmo era comer o acarajé daqui”, conta, entre risos.

Além da diversidade gastronômica, os circuitos de feira também movimentam pequenos empreendedores que já atuavam no ramo alimentício. É o caso de Mazinho dos Santos, que trabalha com sanduíches, costela e churrasco em eventos pela cidade.

Para ele, as feiras noturnas ajudam não apenas na geração de renda, mas também na criação de espaços de convivência comunitária. “Você trabalhou o dia inteiro, aí vai na feira, come alguma coisa, encontra gente, passeia. É um ambiente muito familiar”, afirma.

Com funcionamento em diferentes regiões administrativas, os circuitos gastronômicos passaram a integrar uma nova dinâmica urbana do Distrito Federal, transformando a comida em ferramenta de encontro social, cultura e empreendedorismo.

Feira do Guará

Com 646 bancas, circulação média de 30 mil pessoas por fim de semana e 44 anos de história, a Feira do Guará se consolidou como um dos espaços mais tradicionais do quadradinho. Embora apenas cerca de 10% das bancas sejam voltadas à alimentação, a gastronomia ocupa um papel central na identidade do local, reunindo receitas que atravessam gerações e ajudam a contar a história de Brasília por meio dos sabores.

Na Feira do Guará, o principal é o famoso pastel com caldo de cana. Foto: Clara Mesquita

Entre os corredores da feira, famílias inteiras construíram suas trajetórias. Algumas chegaram ainda nos primeiros anos da capital, outras encontraram no comércio uma oportunidade para recomeçar a vida. Em comum, todas transformaram a feira em mais do que um local de trabalho: fizeram dela uma extensão da própria casa.

Foi o que aconteceu com Heitor Moraes. Natural do Rio Grande do Sul, ele chegou a Brasília para trabalhar na hotelaria e passou cerca de 15 anos administrando hotéis na cidade. A mudança de rumo aconteceu quando conheceu a Feira do Guará. O que começou com a compra de uma pequena banca se transformou em um negócio que hoje reúne 13 operações e emprega mais de 20 pessoas.

A primeira delas foi a Universidade do Pastel, que está ativa há 30 anos. Sem experiência na área, Heitor precisou aprender uma nova profissão. “Eu sabia administrar hotel, mas não sabia fazer pastel. Fazia massa e o vento jogava farinha na minha cara”, relembra. Com o tempo, o negócio cresceu, recebeu premiações e passou a atrair clientes de diferentes estados e até do exterior.

Para o comerciante, a força da Feira do Guará está justamente na diversidade. “É um shopping popular. Aqui você encontra roupa, verdura, pastelaria, casa de queijo e vários outros segmentos”, afirma. Mas o que mais o emociona são os laços construídos ao longo dos anos. “Muitas meninas vinham comer pastel solteiras. Hoje voltam com os filhos adultos. Isso é muito bonito de ver.”

A tradição também move o restaurante Dona Otília, um dos mais conhecidos da feira. Fundado há cerca de 50 anos por Otília, mineira que chegou a Brasília nos anos 1960, o negócio começou de forma simples, com um carrinho de churrasquinho. Aos poucos, as receitas ganharam espaço até se transformarem em referência para quem procura pratos como mocotó, sarapatel, dobradinha, rabada e bobó de camarão.

Hoje, a missão de manter o restaurante vivo está nas mãos da neta, Juliane Rafael. Ela cresceu acompanhando o trabalho da avó e da mãe. “Eu dormia dentro do carro enquanto elas trabalhavam. Depois fui estudar e acabei voltando para continuar a tradição da família”, conta.

A sucessão familiar, porém, não aconteceu sem desafios. Durante a pandemia, Juliane enfrentou uma sequência de perdas que abalou profundamente a estrutura do restaurante. Em poucos anos, perdeu a mãe, duas irmãs, a avó e o pai. Mesmo diante das dificuldades, decidiu seguir em frente. “Não podia fechar um restaurante tão tradicional igual a esse aqui. É um legado”, afirma.

As histórias da feira também são construídas por quem cresceu dentro dela. Obelarmino Júnior, proprietário do Império do Pastel, começou a trabalhar ainda criança ao lado do pai. Antes de assumir a própria banca, passou por diferentes atividades e acompanhou as mudanças da feira ao longo das décadas. “Antigamente as bancas eram abertas e funcionavam só aos sábados. Hoje tem muito mais variedade de produtos e estrutura”, explica.

Mesmo administrando o próprio negócio, ele acredita que o principal motivo para permanecer ali continua sendo o mesmo. “Tradição. Eu segui os passos do meu pai”, resume. Para ele, a Feira do Guará representa muito mais do que um local de trabalho. “É minha segunda casa.”

O sentimento é compartilhado por Raimundo Nonato Rodrigue. Há mais de 30 anos prestando serviços para os feirantes, ele acompanhou reformas, ampliações e o crescimento do espaço. “Melhorou muito. Hoje tem mais segurança e estrutura”, afirma. Ao longo desse período, construiu amizades e fidelizou clientes que se tornaram parte da rotina.

Entre os frequentadores, a relação afetiva também atravessa gerações. O empresário Ênio Ferreira visita a feira há cerca de três décadas e sempre retorna para saborear pratos tradicionais como dobradinha, mocotó e sarapatel. Já a analista de logística Ana Clara conheceu o local por indicação de amigos durante uma visita a Brasília e encontrou no tradicional pastel com caldo de cana a porta de entrada para a experiência gastronômica da feira.

Feira da Torre de TV 

Antes de Brasília consolidar sua identidade cultural, a Feira da Torre de TV já reunia sabores vindos de diferentes regiões do país. Localizada no coração da capital e frequentada por moradores e turistas há décadas, ela se tornou um dos principais retratos da diversidade gastronômica brasiliense. Entre bancas de pastel, churrasco e comidas típicas do Norte e do Nordeste, o espaço ajuda a contar a história de uma cidade construída por migrantes.

A trajetória da feira se mistura à de personagens que acompanharam o crescimento da capital desde os primeiros anos. Entre eles está Mainha, considerada uma das pioneiras na venda de acarajé em Brasília. Vinda da Bahia em 1960, quando a cidade ainda estava em construção, ela ajudou a apresentar aos trabalhadores e moradores um prato que se tornaria parte da paisagem gastronômica local.

Hoje, a tradição é mantida pela filha, Cleuza Pinheiro. Ela cresceu acompanhando a mãe entre os tabuleiros e recorda um período em que Brasília ainda engatinhava. “Aqui não tinha nada. Só tinha mato e a torre estava sendo construída”, relembra Cleuza.  A estrutura era precária. Segundo ela, havia apenas uma torneira e um banheiro para atender os trabalhadores e comerciantes. Sem fogão ou botijão, a mãe improvisava o preparo dos alimentos em latas abastecidas com serragem e enfrentava longas jornadas sob chuva e sol.

Além das dificuldades estruturais, Mainha precisou apresentar o acarajé a um público que ainda não conhecia a culinária baiana. “Aqui ninguém conhecia acarajé em Brasília”, conta Cleuza. A estratégia era abordar os trabalhadores que circulavam pela região e convidá-los a experimentar o quitute. “Ela falava: ‘Vem cá, meu filho, comer um bolinho de feijão’. Aí eles viam o camarão e respondiam: ‘Ih, não quero esse bicho não’”, lembra. Aos poucos, a receita conquistou os brasilienses e se tornou uma das marcas da gastronomia local.

Os ingredientes até hoje continuam chegando diretamente do estado de origem. O dendê, o camarão e outros produtos típicos ajudavam a preservar o sabor tradicional do acarajé. 

Cleuza segue o legado da mãe (Mainha), pioneira do acarajé em Brasília. Foto: Clara Mesquita

Mesmo com o sucesso conquistado, Cleuza acredita que a mãe nunca conseguiu aceitar completamente algumas mudanças impostas pela modernização do comércio. Acostumada à tradição dos tabuleiros ao ar livre, Mainha viu com tristeza a transformação da venda do acarajé em espaços fechados. “Ela ficou dois anos depressiva. Dizia que nunca tinha visto na vida vender acarajé em caixote. Acarajé é livre. O dendê busca você, não você vai ao dendê”, relembra. Segundo a filha, pouco antes de morrer, Mainha fez questão de transmitir os últimos ensinamentos sobre o negócio e insistiu para que a família continuasse atendendo os clientes que frequentavam a banca havia gerações.

Hoje, Cleuza segue à frente do legado construído pela mãe, mas acredita que a história da banca deve terminar com ela. Sua filha escolheu outra profissão e não pretende assumir o negócio da família. Ainda assim, ela não pensa em deixar a feira tão cedo. “Foi daqui que minha mãe tirou o sustento para criar todo mundo. Os fregueses nunca me abandonaram”, afirma. 

E, falando em fregueses, a empresária Ceni Maria Diamantino, 59, é uma delas. Frequentadora da banca desde a época de Mainha, ela acompanha a continuidade do negócio familiar. Ceni tem como tradição frequentar a banca aos domingos e feriados. “Eu como aqui desde que a mãe dela estava viva. Ela aprendeu com a mãe e continuou o legado. Para mim, é o melhor acarajé de Brasília”, afirma. 

A história se repete em outras bancas da Feira da Torre. Na Pastelaria do Caio, que funciona há 53 anos, o empreendedor Césare Coutinho, 69, mantém uma tradição iniciada pela família logo após a chegada a Brasília. Baiano, ele conta que o negócio nasceu da necessidade de encontrar uma fonte de renda na nova capital. “Veio meu pai, minha mãe e quatro filhos. Tudo que construímos veio daqui”, afirma. Segundo ele, a barraca ajudou a sustentar a família e permitiu que os irmãos e seu filho se formassem ao longo dos anos.

Césare acredita que o diferencial está na relação construída com os clientes. “Depois de muito tempo eu consegui fidelizar alguns em função da qualidade, da higiene e de alguns valores que fui agregando ao negócio”, conta. Além da boa relação, Césare possui sua própria receita da pimenta da pastelaria, o que chama atenção dos seus clientes. Hoje, a pastelaria recebe tanto turistas quanto frequentadores que visitam a feira há décadas, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.

Apesar dos avanços na infraestrutura ao longo dos anos, o feirante acredita que ainda há espaço para melhorias. Segundo ele, a transferência das bancas para a estrutura atual trouxe benefícios como acesso à água, esgoto e sanitários, mas algumas reivindicações seguem sem solução. “Ainda estamos a reivindicar o que não está como queríamos. Muita coisa precisa melhorar”, afirma. Para ele, a consolidação definitiva dos espaços comerciais ajudaria a fortalecer ainda mais a Feira da Torre.