Elom: O artista urbano que molda a Ceilândia
Referência na região, Elom carrega consigo mensagem de generosidade.
Postado em 23/06/2026
“Eu sou Ceilândia e Ceilândia sou eu”, diz o artista Fernando Cordeiro, mais conhecido como Elom, a principal referência quando se trata da arte urbana na Ceilândia. Elom queria entrar para a história da cidade e a trajetória da forma como ele vê o grafite o fizeram se destacar na região.
Ceilandense de nascença, Elom cresceu em meio às quebradas da região, vivendo com constantes mudanças de casa e dificuldades financeiras, sempre lutando para conquistar as coisas. “O primeiro impacto que eu tive com a bike foi aos 14 anos. Eu tinha aquela visão de conquistar, nunca fraudar”, diz Elom.

Sua conexão com o grafite ocorreu por intermédio da comunidade. Foi por meio do Quarentão, um espaço comunitário com grande relevância na década de 80 e 90, e dos projetos culturais promovidos pela então diretora regional de cultura da Ceilândia da época, Nina Velez, que Elom pôde conhecer mais a fundo sobre a cultura. Com isso, conheceu seus parceiros que expandiram seus horizontes na arte urbana.
Para ele, o grafite tem como objetivo o âmbito social, indo além de algo comercial, mas que pode virar lucro. Um exemplo é o monumento I Love CEI, que se localiza em frente a Administração Regional e também na Praça do Cidadão. Outro exemplo é a arte do setor pediátrico do Hospital Regional da Ceilândia, feita em 2021. Isso mostra que a intervenção artística em locais monocromáticos, pode trazer emoções e ressignificar o espaço. A mensagem, de certa forma, pode gerar lucro e, com isso, continuar promovendo ações sociais.

A Ceilândia é uma cidade que possui uma grande quantidade de moradores em situação de rua, tanto que são recorrente as ações de acolhimento por parte do GDF. Pensando nisso, Elom teve uma ideia de como ajudar essas pessoas marginalizadas. Na Praça do Cidadão, o artista estabelece seu ateliê abaixo da arquibancada, onde armazena além de suas latas de tinta, água para aqueles que sentem sede. “A geladeira que tem aqui não está de enfeite, tá ali para guardar água para quando chegar alguém com sede, eu poder dar algo de beber. Ela tem um propósito”, reflete Elom.
Além dessa ajuda, Elom também dá voz para aqueles que querem dar o seu relato. Sendo geralmente abordado na rua pelas pessoas, o artista, no meio das conversas espontâneas, dá a oportunidade do outro poder se expressar e contar suas experiências de vida, como se fosse um tipo de podcast, feito ao acaso e ao ar livre. Esses relatos e outras experiências vividas pelo Elom estão presentes no Contos da CEI.
Seu nome artístico, Elom, também carrega um forte significado. De origem hebraica, o nome significa carvalho forte e, sendo resistente, remete a ser abrigo, a ser uma sombra de conforto. E é essa a mensagem que o Elom quer transmitir por meio dos seus grafites: a generosidade. Dar a oportunidade de ouvir e dar voz para os invisíveis, suprir quem precisa, levar cor para lugares apáticos e deixar mensagens que se relacionam com a humanidade e a solidariedade. Fernando Cordeiro é o grafiteiro que escolheu o caminho da inclusão e da exposição dos invisíveis.

