Jovem de expressão fortalece oportunidades para juventude de Ceilândia

O centro artístico oferece oficinas, cursos preparatórios, aulas de idioma, ações de prevenção a violência e muito mais.

Clara Rangel

Postado em 23/06/2026

Clara Rangel, João Hermógenes, João Gabriel, Rafaela Duarte, Gabriel Batista
e Gabriela Braz.

Desde 2007, o Jovem de Expressão vem mudando a vida da juventude da Ceilândia. O projeto nasceu com o Instituto Referencial da Juventude com o objetivo de garantir direitos para jovens da periferia. O centro artístico conecta pessoas de 18 até 29 anos, com a arte, educação e ações positivas. Existem aulas para todos os gostos: audiovisual, dança, canto, teatro, entre outras. Além das oficinas artísticas, práticas como aulas de idiomas, preparatório pré vestibular, laboratório de empreendedorismo, ações de terapia comunitária e prevenção à violência, ao crime e ao uso de drogas são oferecidos pela instituição. 

Festival Elemento em Movimento 2025.
Imagem:@imatheusalves_EM25-0. Reprodução: Flickr.

Com a ajuda de voluntários e investidores, o projeto saiu do papel e funciona com qualidade. Entre os parceiros e idealizadores estão o Fundo de Apoio à Cultura (FAC), o Instituto CNP Brasil, Meta e Google for Nonprofits. 

Números alcançados pelo Jovem de Expressão.

Há também programações especiais como o Elemento em Movimento e o famoso Festival Cine de Expressão. O evento é um espaço de encontro entre cinema e território, voltado à circulação de curtas metragens brasileiros que dialogam com periferias, encruzilhadas culturais e experiências divergentes. 

Informações da próxima edição do Cine de Expressão.

O festival, mais do que exibir filmes, cria um espaço livre para debates e escuta para obras com potência estética, artística e política. Ao final, os três filmes com maior destaque são premiados, com valores divulgados posteriormente. 

O cinema da vida

Rafael Mamede, ex-aluno do Jovem de Expressão. Imagem: Rafaela Duarte. 

Com paixão pelo cinema, Rafael Mamede percorreu por toda Brasília procurando um curso onde pudesse aprender sobre fotografia, produção e direção, até que em sua própria cidade, Ceilândia, encontrou o Jovem de Expressão. O projeto cultural vai desde cursinhos preparatórios até aulas de dança, promovendo inclusão social e cultural de jovens da periferia do Distrito Federal. Além das diversas oficinas, a iniciativa tem o objetivo de incentivar práticas saudáveis, sempre organizando ações de terapia comunitária, prevenção à violência, ao crime e ao uso de drogas. 

Encantado pelo conceito do programa, ele diz que o curso é completo e fatores como a gratuitidade e a proximidade perto da sua residência facilitaram o acesso às aulas. Durante as oficinas, Rafael pode transformar ideias da sua cabeça em projetos reais com a ajuda de ferramentas e apoio dos profissionais. Hoje, todo ensinamento que ele teve é complemento para sua faculdade de Publicidade e Propaganda. 

Pôster do curta Poemia.

Com suas habilidades de dar vida às fotografias, um dos seus trabalhos virou pôster do filme “Poemia”. Rafael conta: “Foi muito doido ver que uma coisa que eu faço desde pequeno se concretizou em algo grande”. Ele também acrescenta que adoraria fotografar a vida acontecendo no metrô da cidade.

Informações importantes sobre o curta.

“Ceilândia é um local pulsante de ideias e artes”, Rafael afirma. A ação do Jovem de Expressão surge na região administrativa com a meta de ser um espaço livre para a galera do meio artístico potencializar seus conhecimentos. “O programa fomenta uma cena e acaba atraindo pessoas de outros lugares por meio dos eventos que eles promovem. Inclusive o festival de cinema que acontecerá esse ano novamente”, conclui.

A vida pela lente de uma câmera

Elly Dias, parte da agência de mídia do Jovem de Expressão. Imagem: Rafaela Duarte 

Apresentada ao Jovem de Expressão pelo tio, Elly Dias Fernandes, de 21 anos, sempre gostou de câmeras fotográficas. Seu interesse começou desde pequena quando utilizava uma Cybershot para retratar a vida e depois, quando mais velha, decidiu retomar o hobby antigo. A jovem conta que a técnica veio por meio da prática, e ensinamentos como a história da fotografia e como a luz atravessa a lente, foram essenciais. 

Trabalhos autorais produzidos por Elly.

Elly conta que, o ensaio “Brasil Core”, feito por sua turma de fotografia, foi um dos mais especiais. Entre as cores amarelo, verde e azul, a correria e as câmeras na mão, o trabalho envolveu profissionalismo e amizade. “A fotografia é uma lembrança de todos os momentos importantes para uma pessoa”, complementa. 

A professora Tatiana Reis teve um papel importante na vida profissional da jovem, a impulsionando a entrar para “Ocre Imagens”, um coletivo e estúdio de produção cultural, audiovisual e fotografia. Atualmente, ela cursa Terapia Ocupacional durante a semana e fotografa eventos nos tempos livres de sexta, sábado e domingo. “Além de um apoio profissional, o programa te faz crescer como indivíduo e se conectar com sua comunidade”, finaliza.